STF rejeita desmembramento do mensalão; ministros batem boca

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitaram o desmembramento do processo do chamado mensalão no início do julgamento do caso nesta quinta-feira, negando pedido feito pela defesa de um dos réus.

Reuters

02 de agosto de 2012 | 18h17

O desmembramento foi proposto pelo advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos --que representa José Roberto Salgado, ex-diretor do Banco Rural-- para que os réus que não têm foro privilegiado não fossem julgados pelo Supremo.

O relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, foi o primeiro a votar contra o desmembramento, e foi seguido pelos ministros Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Cezar Peluso, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto, presidente da Corte.

Votaram a favor o revisor do caso, ministro Ricardo Lewandowski, e o ministro Marco Aurélio Mello.

A questão gerou bate-boca entre Lewandowski e Barbosa, que afirmou haver “"deslealdade" e indagou sobre os motivos do revisor não ter levantado a questão meses atrás, antes do início do julgamento.

O presidente do Supremo, ministro Ayres Britto, tentou interromper a discussão, que estaria indo para o “ "lado pessoal".

O STF iniciou nesta quinta-feira o julgamento do processo do caso que ficou conhecido como mensalão, um suposto esquema que funcionaria com o desvio de recursos públicos que seriam usados para a compra de apoio entre parlamentares da base governista no Congresso, segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República.

O caso, que veio à tona há sete anos, foi a maior crise política do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A proposta de desmembramento foi o primeiro tema a ser discutido na sessão. Neste primeiro dia, estavam inicialmente previstas a leitura de um resumo do relatório de Barbosa e a argumentação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

(Reportagem de Hugo Bachega e Ana Flor)

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