Sting lava a alma dos fãs em show recheado de hits

A chuva deu uma trégua e cantor britânico encerrou o último festival do ano em São Paulo provocando grande comoção

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2009 | 00h00

O compositor e cantor britânico Sting encerrou o último grande festival do ano em São Paulo - o Natura About Us - com um show memorável, anteontem, na enlameada Chácara do Jockey. Até que no domingo não foi tão mal quanto na noite anterior, quando choveu pesado durante todo o show da banda The Killers, que nada tinha a ver com festival. Na tarde de sábado, também sob chuva, os shows infantis do About Us atraíram 3,5 mil pessoas. No domingo, Sting, Jason Mraz e artistas brasileiros atraíram 14 mil, segundo a produção do evento.

Como lembrou Lenine, o festival reuniu "pessoas que ao longo de suas carreiras sempre tiveram uma preocupação com o planeta". Essa gente engajada, de boa reputação artística entre o público consciente, tem um ritmo como denominador comum: o reggae. Com exceção de Arnaldo Antunes - que no trabalho atual se voltou mais para o iê-iê-iê e o rock, mas também já deitou nessa praia -, todos incluíram canções do ritmo jamaicano nos shows.

Depois de uma tarde animadíssima com os brasileiros (leia ao lado), o californiano Jason Mraz foi recebido com gritinhos histéricos das fãs adolescentes, que cantaram todas as canções junto com ele. Em pequena turnê pelo Brasil, o garotão de praia resolveu parar de falar na sexta-feira. Ficou dois dias mudo, cancelando entrevistas já agendadas. Pelo jeito fez bem aos ouvidos alheios, já que falando, embolado e estridente, ele é meio irritante.

Cantando, surpreendeu positivamente, mas o melhor número de seu show foi um tema instrumental, um funk bombástico, que tocou com sua ótima superbanda. Empunhando guitarras, Mraz atirou para todos os lados. Às vezes parecia Jamiroquai, teve momento operístico em falsete, demonstrando grande alcance vocal, sussurrou balada acústica, caiu no reggae citando Bob Marley (Three Little Birds) e até fez dueto com Sandy em Lucky.

Provocou mais histeria com I"m Yours, seu maior sucesso por aqui. Foi nessa, a penúltima do roteiro, que a chuva começou a cair e se intensificou temerosamente. Quando Sting subiu ao palco, porém, o pior já tinha passado e, aos poucos, o aguaceiro se dissipou. "Saudade São Paulo", saudou o astro no início.

Previa-se uma debandada dos teens, mas para surpresa geral, a reação de garotas e garotos, cantando aos berros os hits, foi de êxtase. Mais do que um tiozão saradão, ficou para esses jovens - e os maduros também - a impressão de viver um momento antológico diante de um mito do rock, com razão. Com seu power trio tão incrível quanto o Police, Sting realizou um dos melhores shows do ano, no mesmo lugar onde o Radiohead não fez por menos.

Deixando de lado canções de seu novo, belo e invernal CD -, Sting atacou de rock, reggae, ska, jazz, com uma abundância impressionante de hits da carreira-solo e do Police: Message in a Bottle, Englishman in New York, Fields of Gold, Roxanne, Every Breath You Take, entre outros, provocando grande comoção.

Um dos momentos de maior intensidade foi o medley com Bring on the Night e When the World Is Running Down You Make the Best of What''s Still Around. Com a voz em forma e o surrado contrabaixo pulsando como nunca, em arranjos bem diferentes dos originais, Sting e banda (guitarra, teclado e bateria) mesclaram jazz, funk e rock, dando o sangue nos solos. Para coroar a grande noite, o reencontro em Fragile (que ele também gravou em português) com um velho amigo brasileiro, o cacique Raoni, cada um falando a sua língua. Caras pálidas, captamos a mensagem, lembrando o trocadilho de Rita Lee: "Se a gente não se Raoni, a gente se Sting."

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