Strauss-Kahn deixa prisão após passar noite detido

O ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Khan foi solto da prisão nesta quarta-feira após ser interrogado

PIERRE SAVARY, REUTERS

22 de fevereiro de 2012 | 17h33

pela polícia francesa durante

dois dias por suspeita de envolvimento num casso de prostituição.

Strauss-Khan, cujo cargo no FMI e as chances de se tornar o próximo presidente da França acabaram em maio depois de ser preso em Nova York por acusações hoje arquivadas de abuso sexual, terá de se apresentar a um juiz para novo interrogatório , disse uma fonte do tribunal, sem dizer a data.

"Ele respondeu todas as questões", disse o advogado de Strauss-Kahn, Frederique Beaulieu. "O fato de ele ter sido autorizado a sair é uma coisa boa, é normal que ele seja solto se respondeu a todas as perguntas."

A investigação se concentra nas alegações de que uma rede de prostituição organizada por colegas de Strauss-Khan abastecia clientes do luxuoso Hotel Carlton, em Lille.

A polícia quer saber se o hoje desempregado Strauss-Khan sabia que as mulheres presentes nas festas que ele frequentava em Lille, Paris e Washington eram prostitutas.

Seu advogado disse que ele não tinha por que achar que as mulheres eram prostitutas, observando que nem sempre era fácil ver diferenças entre uma "mulher de classe" e uma prostituta quando ambas estava nuas.

Os investigadores agora podem abandonar as acusações ou colocar Strauss-Khan formalmente sob investigação.

Ele pode ser acusado de cumplicidade em uma operação que intermediava prostitutas ou por ter se beneficiado de fundos desviados de empresas, se for constatado que ele sabia que as festas com prostitutas nas quais compareciam executivos eram pagas pelas empresas.

Strauss-Khan, de 62 anos, não deu declarações ao chegar de carro para ser interrogado na manhã de terça-feira na delegacia de polícia de Lille.

Ele se demitiu do cargo de chefe do Fundo Monetário Internacional depois de ser acusado de tentar estuprar uma camareira de hotel de Nova York.

Os promotores norte-americanos abandonaram as acusações criminais contra ele por desconfiarem da credibilidade da ré.

Na sua volta para a França, em setembro, promotores franceses arquivaram uma queixa de agressão sexual feita por uma escritora francesa porque ela teria apresentado a queixa quase uma década depois do evento, e tarde demais sob a lei estatuária.

Então surgiu o caso de Lille, com vazamentos implacáveis na mídia, sujando ainda mais a reputação de Strauss-Kahn.

(Reportagem adicional de Brian Love e John Irish em Paris)

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