Sua teima é fazer lúpulo ‘brasileiro’

Gaúcho utiliza até luz artificial para tentar adaptar a planta. A primeira colheita foi direto para cervejas

29 de junho de 2011 | 19h54

Depois de ver algumas mudas de lúpulo trazidas da Itália e plantadas de modo esparso no sítio do bisavô Antonio Scotti - que tinha uma pequena cervejaria - e dos avós em Antônio Prado (RS), o engenheiro elétrico Fernando Borsoi resolveu tentar, há três anos, cultivar o ingrediente em Vacaria, de modo a poder utilizá-lo em produções cervejeiras. "Testei algumas variedades e uma delas se adaptou melhor. Falta frio para que as outras se desenvolvam e gerem flores."

Borsoi também aproveitou, no plantio do lúpulu, a experiência que tinha com iluminação artificial para crisântemos. Fornece as horas de luz necessárias ao desenvolvimento do ingrediente. A experiência deu certo e, no início do ano, ele fez a primeira colheita de flores de lúpulo - usadas diretamente na cerveja, como ocorria há décadas, ou transformadas em pellets prensados.

O plantio de lúpulo em larga escala no Brasil é considerado muito difícil pelos cervejeiros, principalmente pela questão climática. Por isso o ingrediente é importado de regiões com produção estabelecida na Alemanha, República Checa, Estados Unidos e Bélgica, entre outros.

A novidade brasileira tem outras limitações. Além da quantidade pequena, as flores in natura duram pouco. A reportagem conversou com cervejeiros de Santa Catarina e do Rio que encomendaram lotes e detectaram deterioração. "Ela dura dois, três dias", afirma Borsoi.

Fase de ajustes. Leonardo Sewald, da cervejaria Seasons, de Porto Alegre, porém, foi colher sua encomenda diretamente na fazenda e a utilizou para fazer a primeira harvest ale de que se tem notícia por aqui - que recebe o nome por ser produzida na época de colheita do lúpulo, utilizando-o fresco. Segundo ele, a variedade em questão é herbal e resinosa, mas carece de mais aroma. "Ficou discreto, com nota cítrica que lembra lima. Também é preciso potencializar o amargor", diz o cervejeiro, que quer repetir a dose em 2012.

Borsoi, que se define hoje como degustador de cervejas, deve, em breve, utilizar as novas colheitas de lúpulo em um projeto próprio de microcervejaria em Vacaria. "Mas será pequeno, para atender apenas a cidade."

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