Sucesso do Discovery é vitória do chefe da Nasa

Para algumas pessoas, a decisão do administrador da Nasa, Michael Griffin, de passar por cima da das objeções do chefe de segurança e do chefe de engenharia da agência espacial e seguir adiante com o lançamento do ônibus espacial Discovery foi uma aposta arriscada que, com o retorno em segurança da nave à Terra, mostrou-se acertada. Mas, para o próprio Griffin, foi uma decisão lógica, baseada na frieza dos números.Na missão de 13 dias à Estação Espacial Internacional (ISS), o Discovery enfrentou o menor número de problemas na história recente das missões tripuladas da Nasa. O escudo térmico não mostrou problemas em sete inspeções detalhadas, e todas as tarefas previstas para a missão - incluindo alguns serviços extras - foram cumpridas."Foi um vôo de enorme sucesso", disse Griffin, numa entrevista coletiva após o pouso. "Estamos de volta". Mas em seguida Griffin advertiu que ainda é preciso analisar os dados do vôo em detalhes, para ver se realmente são tão bons quanto os resultados da missão sugerem. O debate acalorado que antecedeu o lançamento do Discovery atingiu o ápice em duas reuniões da administração da Nasa, em junho. A questão era o potencial da espuma de isolamento do tanque externo de combustível em causar danos ao revestimento da nave. Foi o impacto de um pedaço de espuma com o revestimento da asa que levou à desintegração do Columbia, em 2003.A Nasa resolveu a maior parte dos problemas de fixação de espuma, e a maioria dos engenheiros acreditava que o risco de dano da área remanescente era pequeno e, se ocorresse, seria possível manter os astronautas a bordo da ISS, aguardando uma missão de resgate. Mas o chefe de segurança e o engenheiro-chefe da Nasa disseram que seria melhor esperar um conserto definitivo antes do lançamento.Griffin acabou decidindo que o risco era pequeno.

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