Sudeste lidera interesse por cursos de Medicina

Apesar de o Ministério da Educação querer descentralizar novas ofertas no setor, das 33 cidades que concorrem a ter editais, 14 estão da região

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h02

BRASÍLIA - Mapeamento do governo mostra que 33 cidades concorrem para ter editais de novos cursos de Medicina. O levantamento indica que, embora a nova estratégia do governo tenha como um dos objetivos descentralizar a oferta de vagas de cursos, privilegiando áreas mais pobres e com maior demanda, a maior parte das cidades candidatas se encontra no Sudeste.

Somente nesta região são 14. Em seguida aparecem a Região Norte, com 8, e o Nordeste, com 6. No Sul foram identificadas 4 cidades com estrutura mínima e no Centro-Oeste, 1.

A lista dos municípios está no Ministério da Educação, a quem caberá definir os locais onde propostas para criação de cursos poderão ser apresentadas. A expectativa é a de que editais sejam lançados até julho. "Essa distribuição para o primeiro edital já era esperada", afirma o deputado Rogério Carvalho (PT-SE), médico e especialista em saúde pública. "Uma mudança na lógica da distribuição virá com o tempo, à medida em que cidades mais distantes tenham infraestrutura necessária", completou.

Os novos critérios para abertura de cursos de Medicina foram anunciados no início do mês. Os padrões foram definidos com base em um estudo do Ministério da Saúde sobre as necessidades regionais por médicos e a estrutura existente. Esse levantamento procurou identificar cidades onde a oferta de cursos é deficiente e apresentem estrutura de saúde adequada.

Demanda. Segundo a nova estratégia, para que vagas sejam criadas é preciso que haja demanda por esses profissionais na região e estrutura mínima que garanta a formação do estudante. Entre os pontos analisados estão: leitos hospitalares, equipes de Programa de Saúde da Família (PSF), serviços de urgência e emergência.

Essa estrutura mínima atende a dois objetivos. Sem ela, afirmam integrantes do governo, é difícil garantir que estudantes possam ter uma boa formação. A experiência prática, o contato com paciente, é indispensável. A oferta de serviços em número adequado, completam, pode ajudar a evitar um fenômeno comum, batizado pelo governo como "canibalização dos serviços".

Muitos cursos de Medicina atualmente não dispõem de uma estrutura própria. Para cumprir as exigências, acabam recorrendo a estrutura ofertada em serviços conveniados com Sistema Único de Saúde. Com isso, vagas que seriam destinadas para atendimento público, acabam sendo bloqueadas para orientação e treinamento de estudantes.

Residência. A criação de novos cursos também estará condicionada à existência de programas de residência médica, fator considerado essencial pelo Ministério da Saúde para a fixação de médicos nas regiões de maior demanda. O governo afirma que o levantamento do Ministério da Saúde servirá também para nortear investimentos nas áreas consideradas prioritárias.

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