Suíça vai repatriar US$ 28 mi do ''propinoduto''

Para o início de 2010, o governo brasileiro aposta no retorno aos cofres públicos de US$ 28 milhões desviados por fiscais de renda do Rio. O propinoduto, como ficou conhecido o escândalo, foi descoberto em 2002, quando o Discount Bank & Trust Cie foi comprado pelo Union Bancaire Privee em Genebra.

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

05 Dezembro 2009 | 00h00

Nas investigações internas feitas pelos novos proprietários do banco, chamou a atenção a diferença dos salários declarados por brasileiros e o volume de dinheiro que entrava em suas contas todos os meses por meio do escritório do Discount Bank no Rio.

As investigações revelaram que o esquema envolveu o envio desse dinheiro entre o Brasil e bancos na Suíça entre 1999 e 2000 por quatro fiscais de renda do governo e quatro auditores da Receita Federal. Entre os envolvidos estava o ex-subsecretário de Administração Tributária do Rio na gestão de Anthony Garotinho (PSB), Rodrigo Silveirinha, que teria enviado US$ 8,9 milhões para a Suíça. Segundo as investigações, o dinheiro viria de propinas pagas por empresas em troca de benefícios fiscais. Silveirinha era responsável pela fiscalização de cerca de 400 empresas e trabalhava com Garotinho desde 98.

No Brasil, os fiscais cariocas já foram condenados e cumprem pena por lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Essa era uma das condições para que os suíços aceitassem repatriar os recursos. O caso também fez prisões na Suíça. Cinco banqueiros foram condenados por lavagem de dinheiro.

Com uma série de casos se proliferando entre a Suíça e o Brasil no campo legal, o governo estuda o estabelecimento de um adido da PF em Berna para acompanhar de perto as investigações e poder acelerar procedimentos para a recuperação de ativos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.