Suíços vetam construção de novos minaretes no país em referendo

Os eleitores suíços aprovaram a proibição da construção de mais minaretes em um referendo realizado neste domingo no país. O resultado surpreendente deve constranger o governo da Suíça, tradicionalmente neutro.

STE, REUTERS

29 de novembro de 2009 | 16h08

A agência de notícias suíça ATS e outros órgãos de imprensa informaram que aproximadamente 57,5 por cento dos eleitores em 22 dos 26 cantões em que se subdivide o país aprovaram a proposta. O referendo tinha o apoio do Partido do Povo Suíço (SVP), de extrema direita.

O governo e o Parlamento haviam rejeitado a iniciativa por considerar que ela violava a Constituição, a liberdade de religião e a tradição de tolerância, cultivada no país europeu. As autoridades diziam que a proibição poderia "servir aos interesses de círculos extremistas".

O governo informou que vai respeitar a decisão do povo e declarou que a construção de minaretes não será mais permitida no país.

"Os muçulmanos na Suíça podem praticar sua religião sozinhos ou em comunidade com outros e viver de acordo com suas crenças, exatamente como antes", assinalou o governo em um comunicado.

A ministra da Justiça, Eveline Widmer-Schlumpf, disse que o resultado da votação reflete o medo do fundamentalismo islâmico, mas que a proibição "não é um meio plausível de conter tendências extremistas".

Um grupo de políticos do SVP, maior partido do país, e da União Democrática Federal recolheram assinaturas suficientes para forçar a realização do referendo, com base numa iniciativa que se opõe à "islamização da Suíça".

O cartaz da campanha mostrava a bandeira suíça coberta de minaretes que pareciam mísseis e uma mulher coberta com um véu preto, traje associado com o islamismo mais austero.

"Estamos imensamente felizes. É uma vitória para este povo, para a Suíça, para a liberdade e para aqueles que querem uma sociedade democrática", disse Walter Wobmann, presidente do comitê da campanha, em um discurso para celebrar a vitória na cidade de Egerkingen, perto de Berna.

Antes, Wobmann declarara à Reuters: "Nós queremos apenas impedir uma maior islamização na Suíça. Queremos deter novos desdobramentos, minaretes, a lei da Sharia", afirmou o parlamentar pelo SVP. "O minarete é o símbolo do Islã político e da lei da Sharia."

Dos cerca de 7 milhões de habitantes da Suíça, mais de 300 mil são muçulmanos, originários principalmente da Bósnia, de Kosovo e da Turquia.

De um total estimado entre 130 e 160 centros culturais e de oração da comunidade muçulmana no país, há quatro mesquitas com minaretes, incluindo as de Genebra e Zurique. O chamado para as orações é proibido na Suíça.

O resultado do referendo deve fortalecer o SVP, acusado de racismo por sua campanha contra a imigração.

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