SUMMIT-Embraer vê carteira de pedidos estável em 2010

A Embraer, terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais, estima que sua carteira de pedidos termine 2010 em nível parecido com o verificado em dezembro de 2009, disse nesta sexta-feira o presidente-executivo da empresa, Frederico Curado.

CESAR BIANCONI E ELZIO BARRETO, REUTERS

07 de maio de 2010 | 18h42

A companhia encerrou o último ano com 16,6 bilhões de dólares de encomendas em carteira ("backlog"), expressiva redução contra os quase 21 bilhões de dólares do ano anterior, diante da ausência de novos pedidos e cancelamentos de contratos com clientes em meio à crise econômica global.

Para que a carteira de pedidos da Embraer permaneça estável no encerramento do ano contra 2009, a fabricante terá que concretizar vendas de cerca de 5 bilhões de dólares, valor de receita projetado para 2010.

Até abril, a Embraer fechou apenas uma nova venda de 20 jatos para a companhia aérea Austral, da Argentina.

"Antes não tinha nem campanha (de venda). A gente acha que algumas empresas aéreas vão tomar decisão (de compra) até o final do ano", afirmou Curado em entrevista nesta sexta-feira durante o Reuters Latin American Investment Summit.

"A gente espera terminar o ano com 'backlog' não muito diferente do que terminamos o ano... Vamos tentar ter vendas que nos permitam sustentar o 'backlog' não no mesmo nível de 2009, mas perto disso."

O executivo afirmou ainda que não enxerga "uma inflexão forte para cima na demanda" por aviões comerciais nos próximos anos, "a não ser que ocorra um fato novo positivo na economia".

"O crescimento que foi visto na década até 2007 e meados de 2008 estava excessivamente ou artificialmente alto. Não vemos aquelas taxas de crescimento de dois dígitos em muitos mercados no transporte aéreo num futuro previsível", acrescentou.

Segundo Curado, o setor aéreo na América Latina, especialmente no Brasil, e em países no Oriente Médio, na Ásia e até na Europa apresentou sinais de melhora um pouco mais rápido. Nos Estados Unidos, porém, principal mercado consumidor de aeronaves no mundo, a reação vem sendo mais tímida. "O mercado que menos reagiu até agora para nós foi os EUA."

Diante disso, os segmentos de aviação executiva e de Defesa devem ser os motores de crescimento da Embraer no curto e no médio prazo.

NOVO PROJETO

A Embraer planeja tomar até o final do ano uma decisão sobre seus próximos passos no segmento de aviação comercial. Para isso, escalou no mês passado o executivo Mauro Kern, que ocupava a vice-presidência da área de Aviação Comercial, para liderar o desenvolvimento de novos projetos.

De acordo com Curado, as duas opções preferidas em análise, a modernização dos atuais aviões de 70 a 118 assentos e o desenvolvimento de uma aeronave totalmente nova de maior porte, não são excludentes.

"Não são decisões excludentes. É claro que a gente não consegue fazer tudo ao mesmo tempo", disse. "A expectativa é que a gente consiga viabilizar algum novo programa de desenvolvimento (na aviação comercial)."

Na família de aviões de 70 a 118 passageiros, foram investidos 850 milhões de dólares.

Conforme o presidente da Embraer, o investimento em um novo avião seria certamente maior, porque "tamanho é documento em aviação".

"Não é um investimento pequeno. Estamos falando de ordem de grandeza de bilhões de dólares, daí a necessidade de ter extremo cuidado e clareza", disse.

A modernização dos atuais aviões comerciais do portfólio protegeriam a Embraer da incursão de novos concorrentes na fabricação de jatos regionais como chineses e russos.

No caso de um novo avião maior, a Embraer brigaria diretamente com as gigantes Boeing e Airbus.

"De um lado, o avião maior endereçaria um mercado maior em quantidade e valor. Por outro lado, a Embraer encara uma concorrência bastante forte de Boeing e Airbus, então não é uma decisão trivial para se tomar", observou.

Uma terceira via está perdendo força, o desenvolvimento de um turboélice, devido ao alto preço do petróleo. "Eu diria que não tenho muito otimismo em relação a isso. Hoje há dois fabricantes nesse mercado e não me parece que haja espaço para um terceiro fabricante de turboélices."

(Reportagem adicional de Carolina Marcondes e Marcelo Teixeira)

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