SUMMIT-Estagnação da economia não afeta protagonismo, diz Patriota

O protagonismo adquirido pelo Brasil na arena externa nos últimos anos não será afetado por uma possível estagnação da economia resultante da desaceleração dos países emergentes em consequência da crise financeira internacional, afirmou nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

ANA FLOR E JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

31 Maio 2012 | 17h08

Conquistas no plano interno, como a redução de miséria e ampliação da classe média, continuarão a ser exemplo e vão garantir a capacidade de o Brasil influenciar negociações internacionais, segundo o ministro, como o país pretende fazer no próximo mês, na Rio+20, ao buscar um consenso internacional para desenvolvimento sustentável.

"A voz de Brasil se propaga em grande medida em função das conquistas realizadas no plano doméstico.... A ideia que se dissemina com muita força é que hoje em dia existem fórmulas capazes de contribuir para crescimento com justiça social e redução da pobreza", disse Patriota durante o Reuters Latin American Investment Summit.

"É uma ideia e um exemplo muito poderosos que dão efetivamente ao Brasil uma capacidade de diálogo sem precedente", afirmou.

Na avaliação de Patriota, a conferência será palco para estabelecimento de um plano de ação "para os próximos 20 anos" no desenvolvimento sustentável e é essencial garantir que não haja retrocessos em conquistas anteriores.

"A Rio+20 é um ponto de partida, um começo. Não se deve esperar dela que conclua negociações de acordos em áreas específicas. O que se espera é que ela aponte negociações e mobilize governos e outros atores", disse, voltando a insistir que "a vertente ambiental é um dos aspectos da conferência", que precisa discutir desenvolvimento.

Está confirmada até o momento, de acordo com o Itamaraty, a presença de 102 chefes de Estado e Governo na conferência que ocorre de 20 a 22 de junho, no Rio de Janeiro.

O Brasil propôs um acordo para a criação de Objetivos do Desenvolvimento Sustentável -similares aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), criados em 2000 para combater o que na época a ONU considerou os maiores problemas mundiais.

Segundo o ministro, as negociações para estabelecer essas metas são "satisfatórias" até o momento, mas ainda haverá rodadas de conversas por mais alguns dias antes de se chegar ao texto final que deve ser aprovado na conferência.

"Serão objetivos a serem assumidos por todos os países, independente do seu nível de desenvolvimento, porque há muito que os países desenvolvidos precisam fazer eles próprios no plano doméstico para que tenhamos esta sustentabilidade no plano econômico com justiça social", afirmou Patriota.

Para o ministro, a ausência de chefes de Estado e governo das principais potências mundiais -como o presidente dos EUA, Barack Obama, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ou o primeiro-ministro britânico, David Cameron- não enfraquece os objetivos do encontro.

Ele rebateu ainda a afirmação de que a reunião será "um encontro dos emergentes". Segundo Patriota, todos os países terão representação em nível elevado e com poder decisório.

(Reportagem adicional de Paulo Prada e Esteban Israel)

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