SUMMIT-Itaú:Brasil entra em fase de crescimento menor do créditO

O mercado de crédito no Brasil entrou numa fase de crescimento mais moderado, que nos próximos anos deve ficar na faixa de 15 a 20 por cento, segundo o presidente-executivo do Itaú Unibanco.

ALUÍSIO ALVES E GUILLERMO PARRA-BERNAL, REUTERS

29 Maio 2012 | 12h28

Com o ciclo de expansão acelerada de concessão de financiamento ao consumo dando sinais de fadiga, o crescimento agora deve ser liderado por empréstimos para empresas e para o setor imobiliário, que deve ser a próxima onda no setor.

"A expansão daqui pra frente deve se dar de forma mais lenta", disse nesta segunda-feira Roberto Setubal, em entrevista durante o Reuters Latin American Investment Summit. "Árvores não crescem até o céu."

Segundo ele, os elevados níveis de inadimplência atuais refletem em grande parte a "empolgação" dos bancos com o forte crescimento econômico de 2010 -ano em que o PIB teve alta de 7,5 por cento-, expandindo suas carteiras de forma exagerada, especialmente as de financiamento de veículos.

Para Setubal, o nível dos calotes tende a cair, uma vez que os bancos no país se concentrem em linhas mais seguras, com colaterais. Além disso, a taxa básica de juro Selic não deve voltar mais para a casa de dois dígitos, o que cria melhores condições para a concessão de novos financiamentos.

Para o executivo, a tendência de juros menores por um lado reduzirá os custos de capital do banco, mas também provocará uma queda da rentabilidade da instituição. Para compensar esse cenário, a companhia deve evoluir em seu índice de eficiência, que deve chegar a 45 por cento em dezembro, e a 41 por cento no final de 2013.

O banqueiro afirmou que a atividade econômica do país é menor do que se esperava no começo do ano, o que está se refletindo no crédito. Na semana passada, o Banco Central divulgou que o estoque de financiamentos no país desacelerou em abril em relação a março, mesmo com os cortes agressivos de juros promovidos no mês passado pelos bancos públicos.

No entanto, Setubal considerou que recentes medidas adotadas pelo governo para incentivar o consumo, como a redução de impostos para compra de automóveis, já está surtindo efeito.

"No segundo semestre já devemos ver a economia crescendo a um ritmo de 4 por cento (ao ano)", disse.

EXPANSÃO INTERNACIONAL

O executivo disse também que o Itaú Unibanco segue perseguindo sua estratégia de crescer internacionalmente, mas que os alvos potenciais na América Latina estão muito caros.

"Vejo dificuldade de entrar nesses mercados agora, porque estão com preços muito altos", afirmou, referindo-se a países como Colômbia, Peru e Chile. O banco também tem pretensões de entrar no varejo bancário no México e nos Estados Unidos.

Setubal disse não enxergar agora nenhuma operação internacional de grande porte no exterior, mas que a velocidade da expansão do Itaú na América Latina depende necessariamente de incluir unidades de varejo.

"Sem ter isso cresce menos, fica limitado".

REDECARD

Setubal disse ainda esperar que o segundo laudo de avaliação da Redecard aprovado por minoritários há cerca de 10 dias, no âmbito da Oferta Pública de Aquisição (OPA) feita pelo banco para fechar o capital da companhia, confirme os valores do primeiro, que lastreou a oferta de 35 reais por ação.

"Acredito que nossa proposta deve ser vencedora".

Ele reafirmou a intenção de renegociar contratos com a Redecard, caso a OPA fracasse, mas admitiu não enxergar compradores potenciais para o controle da companhia, pelo menos nos níveis de preços oferecidos pelo Itaú na operação.

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