SUMMIT-Líder cafeeiro vê produção colombiana dobrando até 2020

A Colômbia, um dos maiores exportadores de café do mundo, pode mais do que dobrar sua produção até o final da década se seus esforços para adentrar novos mercados, como a Rússia e a China, forem bem-sucedidos, disse o líder da federação de café do país durante o Reuters Latin American Investment Summit.

HELEN MUR, REUTERS

28 Maio 2012 | 18h10

O maior produtor de grãos arábica de alta qualidade do mundo tem como objetivo elevar sua exportação do produto ao nível recorde de 18 milhões de sacas até 2020, por meio do aumento da área de plantio e da recuperação das baixas de produção geradas por clima ruim, fungos e um programa de renovação de pés, disse o chefe da federação, Luis Genaro Muñoz, à Reuters.

A produção de café no país recuou no ano passado a seu menor valor em três décadas, para 7,8 milhões de sacas de 60 quilos. A última vez que a produção da Colômbia atingiu nível próximo à meta de Muñoz foi em 1992, quando superou 16 milhões de sacas.

Muñoz, que espera que a produção no ano que vem atinja 9 milhões de sacas, aposta que russos e chineses com alto poder de consumo desenvolverão o gosto por café colombiano, impulsionando as vendas na Europa e na Ásia, que no ano passado atingiram 7,7 milhões de sacas.

"No dia em que todo chinês beber uma xícara de café por mês, não teremos dificuldade para vender 18, ou até mesmo 20 milhões de sacas", disse Muñoz em entrevista ao Reuters Latin American Investment Summit. "O cerne da questão é a Rússia e a China."

A Colômbia exporta a maior parte de seus grãos para os Estados Unidos e para o Japão, mas a nação andina tem realizado esforços para adentrar nos mercados chinês e russo e, com isso, a quantidade de carregamentos direcionados para esses países está crescendo.

Nos primeiros quatro meses do ano, a China comprou cerca de 4 mil sacas de café colombiano e, se a tendência continuar, superará o total de quase 6,5 mil sacas compradas no ano passado. As vendas provavelmente dobrarão para 2 milhões de dólares neste ano, disse.

A Colômbia vendeu quase 40 mil sacas à Rússia até abril, ante 83 mil no acumulado do ano passado.

A Colômbia paga impostos de importação entre 9 e 30 por cento para vender para a China, por isso "produtores de café estão buscando um acordo de livre comércio com o país", disse Muñoz. A Colômbia pretende dar início a negociações para atingir um acordo com Pequim em junho de 2013.

"Há oportunidades. Temos de ser inteligentes para vender nosso café em mercados de nicho, em preços e quantidades que representem o produtor e não inundem o mercado", disse.

Muñoz espera que a produção de café siga relativamente estável, abaixo das 8 milhões de sacas neste ano e comece a crescer em 2013.

"Se as condições melhorarem no segundo semestre, a Colômbia tem capacidade de alcançar 9 milhões de sacas sem problema", disse Muñoz, cuja organização representa mais de 550 mil produtores de café.

Baixa disponibilidade de grãos de alta qualidade como os produzidos na Colômbia tem ajudado a impulsionar os preços globais de café arábica e empurrou o país para a quinta posição entre os maiores produtores do mundo, atrás de Brasil, Vietnã, Indonésia e Etiópia.

Cerca de um terço dos 900 mil hectares de plantações de café na Colômbia está sendo renovado e por isso não está sendo usado.

Muñoz afirmou que estar confiante de que em cerca de quatro anos, assim que a maior parte dos pés entrarem em fase de produção completa, a Colômbia poderá colher 11 milhões de sacas independente dos fenômenos climáticos La Niña ou El Niño.

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