SUMMIT-Peru deve trabalhar a todo vapor para frear conflitos

Os programas sociais do presidente Ollanta Humala podem reduzir drasticamente a extrema pobreza no Peru, mas é preciso colocar a todo vapor a maquinária do Estado para frear os protestos de moradores que não sentem os benefícios do boom econômico do país, afirmou o governo nesta terça-feira.

TERRY WADE E MARCO AQUINO, REUTERS

29 Maio 2012 | 21h06

A ministra da Inclusão Social, Carolina Trivelli, disse nesta terça-feira durante o Reuters Latin American Investment Summit que o governo está construindo uma rede de apoio social nas zonas rurais ignorada pelo Estado durante muito tempo para garantir bens básicos como alimentos e atenção à saúde.

"Com isso provavelmente não vamos resolver os protestos sociais, mas é o primeiro que temos que cobrir, o primeiro passo que temos que dar é garantir que todos os peruanos e peruanas possam ter acesso aos serviços públicos, que corresponde a eles por direito", afirmou a ministra.

Os conflitos sociais voltaram a manchar nesta semana a gestão de Humala com a morte de ao menos duas pessoas durante um intenso protesto contra uma mina de cobre da multinacional Xstrata, à qual exigem mais apoio econômico para a região onde opera, no sul do país.

Para deter o protesto, o governo teve de autorizar o uso da força militar e suspender as garantias na região do conflito, a província de Espinar, a segunda medida deste tipo que Humala decreta para frear um protesto contra uma mineradora desde que assumiu a Presidência em julho do ano passado.

Trivelli afirmou que o esforço do governo está focado na redução da pobreza, que está em 30,8 por cento, e os resultados mostram que houve mais sucesso em cidades do interior, onde vive a maioria dos pobres.

"O índice da pobreza rural chega a quase 60 por cento e a pobreza extrema na zona rural é de 23 por cento. Esses são os índices que nos preocupam. Ali é onde está o foco dos conflitos", afirmou.

Seu ministério foi criado há sete meses por Humala, logo depois de assumir a Presidência.

Ela é considerada uma das duas principais integrantes do governo, junto ao ministro da Economia, Luis Castilla, para cumprir a promessa de Humala de manter a política econômica com melhores indicadores sociais.

O Peru tem registrado um crescimento econômico médio anual de 6 por cento na última década, apoiado pelo auge de suas exportações de matérias-primas e sua demanda interna em meio a um grande fluxo de investimentos estrangeiros.

"A inclusão social é de longo prazo, não vamos conseguir fazê-la em um ano, não vamos poder dizer que estamos sendo inclusivos, o que fizemos foi dar os primeiros passos com ações em direção à inclusão social", disse Trivelli.

Mais conteúdo sobre:
SUMMITPERUPOBREZA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.