SUMMIT-Petrobras muda divulgação de metas de produção

A Petrobras vai mudar a forma de divulgar a sua meta de produção anual de petróleo a fim de reduzir a ansiedade do mercado com o dado, que há pelo menos três anos não é alcançado.

DENISE LUNA E BRIAN ELLSWORTH, REUTERS

22 de novembro de 2010 | 18h33

Em entrevista durante o Reuters Brazil Investment Summit, nesta segunda-feira, o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, informou que a elaboração do Plano de Negócios 2011-2015 está em pleno andamento, mas somente será conhecido no ano que vem.

"Vamos apresentar metas em faixas, não vamos mais apresentar metas absolutas, para evitar essa ansiedade do mercado. Todo mês somos cobrados", explicou Gabrielli.

Este ano a Petrobras previa produzir em média 2,1 milhões de barris diários de petróleo, mas já anunciou que ficará abaixo da margem de segurança de 2,5 por cento estabelecida pela companhia.

Os investimentos previstos para o novo Plano de Negócios --que vai substituir o projetado para 2010-2014, de 224 bilhões de dólares-- ainda não são conhecidos, mas terão que incluir os gastos projetados para explorar a chamada cessão onerosa, as reservas de 5 bilhões de barris na região pré-sal da bacia de Santos cedidas pela União à Petrobras em troca de ações da companhia na bilionária capitalização de setembro passado.

"Nos últimos oito anos, a cada dois anos nós dobramos o investimento", limitou-se a dizer o executivo. Ele não quis comentar se o novo plano poderia seguir essa linha. No plano 2008-2012 a previsão era de investimentos de 112,4 bilhões de dólares, a metade do atual plano 2010-2014. Se o raciocínio for mantido, o plano 2011-2015 poderia atingir cerca de 335 bilhões de dólares.

Para 2011, a previsão é de que a empresa invista 89 bilhões de reais.

Outra mudança que está sendo avaliada no Plano 2011-2015 são os números utilizados para o crescimento da economia brasileira, após o mercado interno registrar nos nove primeiros meses do ano alta na demanda acima do Produto Interno Bruto (PIB), o que não é comum.

"No plano estamos discutindo se vamos manter ou não o crescimento de 3,6 por cento para o mercado brasileiro. Este ano foi completamente atípico, porque a demanda de líquidos cresceu mais do que cresceu o PIB", destacou o executivo.

Segundo ele, a explicação para o fenômeno é a inclusão social promovida pelo atual governo --que retirou 36 milhões de brasileiros da linha da pobreza, disse Gabrielli-- e que deverá ter continuidade no governo recém eleito de Dilma Rousseff, garantindo forte demanda para a companhia.

Para Gabrielli, a posse de Dilma não deverá mudar significativamente a estratégia para a Petrobras.

"Ela foi presidente do Conselho da Petrobras durante tantos anos, não iria mudar no primeiro ano de governo dela, não vejo razão", disse o executivo, que se recusou a comentar o tema de uma eventual permanência na presidência da estatal.

"É quase impossível com menos de 2, 3 anos mudar a estatégia da Petrobras. É impossível, eu diria. É um volume de coisas em andamento que dificilmente se altera isso", explicou.

Ele informou que em janeiro de 2010 a Petrobras tinha 69 bilhões de dólares em projetos em andamento e vai fechar o ano com cerca de 100 bilhões de dólares de projetos em andamento.

"É muito difícil mudar isso, mas mudanças menores são possíveis, mudanças pontuais", afirmou Gabrielli, sem citar exemplos.

Ele não quis comentar se gostaria de ficar no cargo no próximo governo, mas brincou dizendo que tem emprego até o dia 31 de dezembro. "Foi o que o presidente Lula me garantiu".

Ele afirmou que de qualquer maneira sempre terá seu lugar garantido na Universidade Federal da Bahia, onde voltou a lecionar este ano. "Dei 20 horas de aula e nesse fim de semana tive que corrigir os trabalhos", informou o executivo que liderou este ano a maior capitalização da história, quando a Petrobras levantou 120 bilhões de reais emitindo ações.

INTERNACIONAL

Gabrielli informou que a estratégia para a área internacional da companhia será mantida no novo plano, com investimentos praticamente congelados em relação ao ano anterior. Este ano, os recursos da área internacional foram da ordem de 5 por cento do total do investimento, contra um patamar que já chegou a 11 por cento em anos anteriores.

Ele negou que esteja pensando em vender as refinarias que a companhia possui no exterior, mas não descartou um eventual desinvestimento se aparecer oportunidade e fizer sentido para a companhia.

"Temos que fazer com que esse portfólio (de refinarias no exterior) dê o maior retorno possível para a companhia. Não precisamos vender para fazer caixa, porque são pequenas", explicou Gabrielli.

"Mas é sempre uma possibilidade de ajuste, porque não são muito adaptadas ao nosso petróleo, têm baixo grau de conversão", completou.

Já as refinarias que estão sendo construídas no Brasil têm presença garantida na nova versão do plano de negócios da companhia. Além das unidades focadas em diesel Premium I (MA) e II (CE), a estatal está construindo uma unidade em Pernambuco (Abreu Lima) e outra no Rio de Janeiro (Comperj).

"O Brasil poderia se especializar em produzir petróleo, exportá-lo à China, e depois importar o diesel, mas isso é uma locura", disse Gabrielli rebatendo críticas à empresa em relação ao número de refinarias em construção.

"Não tem sentido fazer isso se se pode construir uma refinaria e ampliar a flexibilidade, reduzir o risco, e reduzir a posibilidade de medidas predatórias no mercado", afirmou Gabrielli, destacando que os ganhos da Petrobras vem do mercado interno.

"Uma empresa que depende do seu mercado interno tem que investir para cobrir esse mercado", finalizou.

Pelo atual plano estratégico, a capacidade de refino da Petrobras --hoje em torno de 1,9 milhão de b/d-- será elevada para 3,2 milhões b/d até 2020, enquanto a produção de petróleo no Brasil deve atingir 3,9 milhões de barris por parte da Petrobras e mais 700 mil b/d vindo dos seus sócios.

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