Superávit primário cresce em maio, dívida fica estável

O superávit primário do setor público brasileiro teve um crescimento expressivo em maio na comparação anual, após um recuo em abril, e o Banco Central comemorou a "convergência à normalidade" no resultado fiscal.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

30 Junho 2011 | 12h55

O bom comportamento dos gastos públicos é visto como fator chave no controle inflacionário. Para conter a demanda, o governo anunciou no início deste ano um corte de 50 bilhões de reais nas despesas orçamentárias, reafirmado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira.

A economia feita por União, Estados, municípios e empresas estatais para o pagamento de juros somou 7,506 bilhões de reais em maio, acima do esperado por analistas e ante 487 milhões de reais no mesmo mês de 2010.

Em 12 meses até maio, o superávit primário foi de 126,6 bilhões de reais, acima da meta fixada para este ano, de 117,9 bilhões de reais.

Como proporção do PIB, o superávit ficou em 3,29 por cento --o melhor resultado desde dezembro de 2008.

"Fica evidente a convergência para uma situação de normalidade na área fiscal, para uma trajetória de pleno cumprimento da meta do ano", afirmou a jornalistas o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Dados divulgados pelo Tesouro na véspera mostraram que o ajuste das contas das União até maio ocorreu principalmente via aumento de receitas e desaceleração dos investimentos.

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, garantiu que essa tendência será parcialmente revertida, com os investimentos voltando a subir e sendo compensados por uma contenção das despesas com o custeio da máquina pública.

O resultado primário de maio ficou bem abaixo dos juros apropriados no mês, e o país teve déficit nominal de 14,669 bilhões de reais. No acumulado em 12 meses, o déficit nominal foi de 2,42 por cento do PIB.

A dívida pública ficou estável em 39,8 por cento do PIB em maio. O BC estima que em junho haverá um recuo para 39,7 por cento do PIB, chegando a 39 por cento no final do ano.

Economistas ouvidos pela Reuters esperavam superávit primário de 6,8 bilhões de reais, de acordo com a mediana de 11 previsões ouvidas pela Reuters.

(Reportagem adicional de Leonardo Goy e Peter Murphy; Edição de Daniela Machado)

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