‘Supergeek’ não se contenta com máquinas normais: tem de turbinar

Eles não pensam só em grãos e processos, mas também em melhorar os equipamentos

Janaina Fidalgo,

30 de setembro de 2010 | 09h26

 

Até o início do ano passado, o funcionário público Márcio Carneiro era um apreciador de café como outro qualquer. Quando encontrava uma cafeteria com um expresso bem tirado, parava e tomava um depois do almoço.

Um dia uma amiga o convidou para fazer um curso de barista. Ele foi. Dois meses depois, a mesma amiga o convenceu a acompanhá-la num curso de degustação e classificação. Ele foi de novo. Iam e voltavam de Santos todas as noites, por um mês. Aprenderam quanto os processos de plantio e secagem do grão fazem diferença na xícara - e também a identificar defeitos. Depois fizeram um curso de degustação e outro de torra.

"É um hobby que ocupa bastante meu tempo livre. Fiz cursos interessantíssimos, fuço bastante em equipamentos e fiz amizade com pessoas que trabalham com café", diz Márcio. "Tem hobby que depois enjoa. Com o café é difícil. Mas estudar obsessivamente, como ando fazendo, acho que será só por um tempo. Até conseguiria me ver afastado um período, mas sem deixar de tomar um bom ristretto duplo ou uma xícara de café coado todos os dias."

Ele é um supergeek. Às evidências: 1) difícil encontrar profissionais da área que nunca tenham ouvido falar nele; 2) até pouco, torrava o próprio café ao menos duas vezes por semana; 3) não bastassem os equipamentos de expresso, moinho e torrador, comprou em um leilão duas máquinas manuais italianas que ele mesmo vai restaurar.

Diferentemente de outros coffee geeks mais centrados nos grãos e nos processos que nos equipamentos, Carneiro não se contenta (só) em saber de onde veio e por quais processos de secagem o café passou. Já tentou melhorar um moedor doméstico, fazendo um funil para dosar o café diretamente no porta-filtro, e pôs um controlador de temperatura eletrônico numa máquina de expresso - "alteração comum entre os geeks".

Desejar equipamentos cada vez melhores (se possível profissionais) é outro traço comum aos geeks. O torrador elétrico de Carneiro, um Behmor, foi trocado recentemente. "Como tenho estudado torra e quero fazer experiências, tenho de partir para um que me permita maior controle do processo."

Carneiro conversou com o Paladar durante as férias. Foi a Toronto e a Nova York. Um café para quem descobrir se ele voltou cheio de dicas das melhores cafeterias de lá.

 

 

Veja também:

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