Supermercados recolhem todos os produtos Ades

Apenas lotes que começam com 'AG' foram banidos pela Anvisa, mas estabelecimentos escolheram retirar todas as unidades

O Estado de S.Paulo

20 de março de 2013 | 02h06

Apesar de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter determinado a suspensão de apenas alguns lotes determinados dos sucos de soja da marca Ades, alguns supermercados e lanchonetes optaram, ontem, por retirar de suas prateleiras todos os produtos da marca.

Em uma loja do Carrefour da zona norte de São Paulo, um comunicado no corredor de sucos dizia que a ausência do produto nas prateleiras devia-se à Resolução nº 1.005, da Anvisa. A resolução, publicada no Diário Oficial da União de anteontem, na verdade, suspende apenas os produtos Ades com lotes iniciados com as letras "AG".

De acordo com a assessoria de imprensa da Unilever, fabricante do produto, houve uma confusão a partir do momento em que a Anvisa divulgou a lista com as 32 variedades do Ades, cujos lotes iniciados por "AG" deveriam ser suspensos (mais informações nesta página). Muitos estabelecimentos entenderam que todas as unidades das 32 variedades estariam banidas, e não somente os lotes indicados.

O diretor executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes, diz que é dever dos supermercados, padarias, lanchonetes e qualquer outro ponto de venda retirar das prateleiras apenas os lotes indicados pela Anvisa. "Não são obrigados a retirar outros produtos da marca. Mas, muitas vezes, por precaução, o mercado acaba retirando todos", disse.

Góes criticou o fato de a Unilever não ter divulgado amplamente, a princípio, qual era a substância que havia contaminado parte dos sucos. "Em uma análise inicial, o comunicado da empresa poderia ter sido mais enfático no que toca aos riscos. Ele diz apenas 'solução de limpeza'. Poderia ter informado que era soda cáustica", disse.

Até o fim da semana, deverá ser divulgado o laudo técnico da inspeção da fábrica realizada por fiscais das vigilâncias sanitárias de Minas Gerais (estadual) e de Pouso Alegre (municipal). Os fiscais, no entanto, entendem que a decisão final deve ficar a cargo da Anvisa, já que o produto tem distribuição nacional.

De acordo com a Unilever, 14 pessoas relataram ter consumido sucos do lote comprovadamente contaminado. Elas já passaram por atendimento médico e não precisaram de internação.

Outros casos. Anteontem, um casal denunciou à polícia que o filho de 7 anos sofreu lesões na boca após consumir suco de uva Ades em João Pessoa, Paraíba. O caso foi registrado na Delegacia Distrital de Mangabeira.

O produto foi comprado em um supermercado em Cabedelo, na região metropolitana da capital. Segundo o delegado Nélio Carneiro, a criança foi encaminhada para exame no Instituto de Polícia Científica de João Pessoa.

Em Ribeirão Preto, a Polícia Civil apura um caso de lesão corporal contra um adolescente de 17 anos que diz ter queimado a boca ao consumir o suco Ades. O caso foi registrado há doze dias, mas somente agora foi divulgado. Os advogados que defendem a família do garoto alegam que ele não chegou a engolir o produto, mas foi o suficiente para causar vários ferimentos no interior da boca.

Amostras do suco foram recolhidas pelo Instituto de Criminalística e enviadas para exames. Após o contato com o suco, o estudante começou a sentir o interior da boca arder e a mucosa passou a sangrar. Isso ocorreu na noite de 7 de março, portanto, antes do recall anunciado no dia 14 pela Unilever.

O suco consumido foi o de maçã de 1,5 litro, mas não foi informado se era do mesmo lote do recall. O garoto foi levado ao médico e ainda estaria com sequelas. De acordo com a família, o líquido era transparente e não tinha cheiro. Mas era denso e chegou a corroer o fundo de uma panela de alumínio durante um teste. / MARIANA LENHARO, JANAÍNA ARAÚJO E RENE MOREIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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