Superstições cercam lançamento da Soyuz na Rússa

O lançamento de missões espaciais no Cosmódromo de Baikonur é cercado de superstição e rituais: das palavras evitadas pelos engenheiros, à música tocada para os cosmonautas no caminho para a plataforma de lançamento. Desde o vôo do russo, pelo pioneiro dos vôos espaciais, Yuri Gagarin, por exemplo, em 1961, todos os astronautas que partem de Baikonur ouvem no ônibus que os leva do seu hotel até a plataforma de lançamento a mesma canção: Trava u doma, em tradução literal "grama ao redor de sua casa". Outra tradição inspirada em Gagarin, que aliás, emprestou o nome dele à plataforma de lançamento número um de Baikonur, é a de plantar árvores na Alameda dos Cosmonautas antes de partir. Desde então, todos os astronautas, inclusive o brasileiro Marcos Pontes, plantaram árvores no local. Entre as superstições, a que mais chama a atenção é a dos engenheiros russos, que não utilizam a palavra poslednyi , "última" em russo. Para evitar má sorte, eles preferem a palavra krainyi, algo mais próximo de "mais recente" ou "limítrofe". É bom lembrar que a missão do tenente-coronel Marcos Pontes foi a de número 13 para a Estação Espacial Internacional. Para completar, ela foi lançada no mesmo dia de um eclipse solar, o que para muitos povos é também um sinônimo de maus presságios. No entanto, como se viu durante o lançamento e segundo os primeiros relatórios enviados pela tripulação, a missão, até o momento, não poderia ter sido mais venturosa. Se depender dos supersticiosos russos de Baikonur, que já simpatizaram com o "Gagarin brasileiro", não vão faltar rituais para que Pontes volte à Terra são e salvo.

Agencia Estado,

30 de março de 2006 | 10h45

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