Suposto ataque químico mata 25 no norte da Síria

O governo e os rebeldes da Síria trocaram acusações mútuas de lançarem um ataque químico fatal perto da cidade de Aleppo, no norte do país, nesta terça-feira, no que seria, se confirmado, a primeira vez que tais armas foram usadas nos dois anos de conflito.

OLIVER HOLMES E ERIKA SOLOMON, Reuters

19 de março de 2013 | 15h36

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que tem resistido a uma intervenção militar ostensiva na Síria, advertiu o presidente sírio, Bashar al-Assad, no passado que qualquer uso de armas químicas seria o limite. Não havia, contudo, sugestão de rebeldes possuindo tais armas.

O ministro da Informação da Síria, Omran al-Zoabi, disse que os rebeldes tinham disparado um foguete carregado de agentes químicos que matou 16 pessoas e feriu 86. A televisão estatal disse depois que o total de mortos tinha subido para 25.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, grupo pró-oposição que monitora o conflito usando uma rede de contatos na Síria, colocou o número de mortos em 26, incluindo 16 soldados.

O total de mortos relatados está bem abaixo do massacre infligido à cidade curda iraquiana de Halabja, onde cerca de 5.000 pessoas morreram em um ataque químico ordenado pelo ex-presidente iraquiano Saddam Hussein 25 anos atrás.

Não houve confirmação imediata de governos ocidentais ou de organizações internacionais sobre o ataque químico, mas a Rússia, um aliado de Damasco, acusou rebeldes de lançarem tal ataque.

"Estamos gravemente preocupados com o fato de armas de destruição em massa caindo nas mãos de rebeldes, o que piora ainda mais a situação na Síria e eleva o confronto no país para um novo nível", disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em um comunicado.

Em Washington, os Estados Unidos disseram que não tinham provas para sustentar as acusações de que os rebeldes tinham usado armas químicas.

"Estamos examinando cuidadosamente as informações conforme elas chegam", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, a repórteres. "Essa é uma questão que o presidente deixou bem claro que era de grande preocupação para nós".

A Grã-Bretanha disse que seus cálculos mudariam se um ataque químico ocorresse.

Um fotógrafo da Reuters disse que as vítimas que ele tinha visitado nos hospitais de Aleppo sofriam de problemas respiratórios e que as pessoas disseram que sentiram o cheiro de cloro depois do ataque.

"Vi na maioria mulheres e crianças", disse o fotógrafo, que não pode ser identificado para sua própria segurança.

Ele disse que vítimas no hospital da Universidade de Aleppo e no hospital al-Rajaa disseram que as pessoas estavam morrendo nas ruas e em suas casas.

Estima-se que o presidente Bashar al-Assad, que combate um levante contra o seu governo, tenha um arsenal químico.

Autoridades sírias não confirmam nem negam isso, mas disseram que se existisse, seria usado contra agressão externa, não contra sírios. Não havia relatos anteriores de armas químicas nas mãos de insurgentes.

"CONVULSÕES, DEPOIS MORTE"

O ministro da Informação Omran al-Zoabi disse que os rebeldes dispararam "um foguete contendo gases venenosos" na cidade de Khan al-Assal, no sudoeste de Aleppo, a partir do distrito de Nairab, no sudeste da cidade, parte do qual está sob controle rebelde.

"A substância no foguete causa desmaios, então convulsões, então morte", disse o ministro.

Mas um importante comandante rebelde, Qassim Saadeddine, que também é um porta-voz do Conselho Militar Superior em Aleppo, negou isso, culpando as forças de Assad pelo suposto ataque químico.

"Estávamos escutando relatos no início desta manhã sobre um ataque do regime contra Khan al-Assal, e acreditamos que eles tenham disparado um (míssil) Scud com agentes químicos", disse ele à Reuters por telefone de Aleppo.

(Reportagem adicional de Dominic Evans e Khaled Yacoub Oweis, em Amã; Frerik Dahl, em Vienna; Stephanie Nebehay, em Genebra; Mohammed Abbas, em Londres; e Gabriela Baczynska em Moscou)

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