Surto de vírus da Febre do Nilo assusta Dallas

Prefeito decreta estado de emergência e repelentes somem das prateleiras; já são 1.640 infectados, com 23 mortes

DALLAS, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2012 | 03h03

Um surto mortal do vírus da Febre do Nilo Ocidental, transmitido por mosquitos do mesmo gênero do pernilongo comum (Culex), infectou 1.640 pessoas e matou 23 no Texas nos últimos dois meses, causando apreensão e esvaziando as prateleiras de inseticidas das lojas de conveniência e das farmácias. "O OFF! (marca de repelente) tornou-se o Chanel N.º 5 por aqui", resume a consultora política Carol Reed, que vive em Dallas.

O Condado de Dallas, por sinal, é o epicentro da doença transportada pelo mosquito, que se espalhou por todo o Texas e para outras partes do país. Dez pessoas morreram no condado e mais de 200 ficaram doentes, o número mais elevado de mortes e infecções deste vírus em todos os Estados Unidos, que já enfrentaram um surto semelhante em 1999.

Diversas espécies de mosquitos são capazes de transmitir o vírus. Pássaros e répteis - como crocodilos e aligatores - desenvolvem a doença e infectam os insetos. Mamíferos (como humanos e equinos) são hospedeiros finais: podem adoecer, mas não são capazes de infectar o mosquito e reiniciar o ciclo. Os sintomas da doença são febre, dor de cabeça, dores no corpo, dores nas articulações, vômitos, diarreias e erupções cutâneas.

As pessoas mais suscetíveis a contrair a doença são aquelas com mais de 50 anos e que tenham sofrido doenças como câncer, diabetes ou doenças renais, assim como aqueles que tenham passado por transplantes de órgãos.

Para combater o surto, o prefeito de Dallas decretou estado de emergência. Aviões estão espalhando pesticida pelo ar e caminhões o espalham no solo.

As autoridades locais recomendaram uma série de medidas que lembram a do combate à dengue no Brasil: o uso de DEET, um poderoso ingrediente que entra na composição de muitos repelentes de insetos, roupas com mangas compridas e calças, evitar manter água parada e sair ao escurecer ou ao amanhecer, quando os mosquitos são mais ativos.

Entretanto, apesar das mortes e da utilização do spray em todo o condado, com um gasto de US$ 3 milhões, o surto não causou pânico generalizado - apesar de muitos moradores conhecerem alguém que ficou doente ou morreu. "Na semana passada, estava no barbeiro e ele me contou que dois dos seus clientes morreram. É uma coisa real, não é um boato que as pessoas espalham por aí", disse o executivo Roy W. Bailey.

Katharyn DeVille ficou internada oito dias no hospital depois de ser picada por um pernilongo na sua casa no bairro de DeSoto. DeVille, 42, diz que tudo começou no dia 30 de julho, quando teve a sensação de estar gripada. A febre começou a subir e ela sentiu calafrios. Ela chegou a fazer exames, que deram negativo. Quando apresentou uma erupção cutânea generalizada, no dia 8 de agosto, passou por novos exames que confirmaram se tratar da Febre do Nilo Ocidental com outras complicações. "Até me senti aliviada", conta. "Pelo menos o que eu sentia tinha um nome, e sabia que não era uma doença contagiosa; isso me tranquilizou bastante." / NYT e AFP

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