SUS e planos vão tratar complicações de próteses mamárias

As mulheres que tiverem problemas relacionados ao rompimento dos implantes mamários das marcas PIP e Rofil poderão realizar a substituição das próteses por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos planos de saúde, informou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

REUTERS

12 de janeiro de 2012 | 18h23

A PIP (Poly Implant Prothese SA), uma extinta marca francesa, e a Rofil, da Holanda, tiveram seus registros cancelados pelo governo brasileiro após milhares de mulheres ao redor do mundo terem relatado problema de ruptura das próteses PIP. A produção da Rofil era terceirizada à PIP.

"O entendimento do governo é de que a ruptura da prótese implica uma cirurgia reparadora que pode ser feita no SUS, como qualquer cirurgia reparadora, no caso de necessidade haverá substituição da prótese", afirmou o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, após reunião com representantes das sociedades médicas de Mastologia e de Cirurgia Plástica, na quarta-feira.

Barbano acrescentou que os planos de saúde também deverão realizar as cirurgias reparadoras, mas haverá na sexta-feira uma reunião entre a Anvisa, a Agência Nacional de Saúde (ANS) e o Ministério da Saúde para definir como isso será feito.

A ANS disse nesta quinta-feira que, de acordo com a lei vigente, os planos de saúde devem cobrir o tratamento das complicações mesmo se o implante foi colocado inicialmente por estética, mas que o pagamento da nova prótese caberá a cada paciente - diferentemente do que Barbano falou na véspera.

De acordo com a Anvisa, entre 300 mil e 400 mil mulheres têm prótese mamária no país, das quais até 25 mil seriam das marcas PIP e Rofil. As próteses PIP estão proibidas no país desde 2010.

A Anvisa determinou ainda que todas as portadores de próteses PIP e Rofil desde 2004 sejam chamadas para avaliação clínica nos serviços de saúde, mas garantiu que "até o momento não há evidências que justifiquem a remoção e substituição preventiva das próteses em questão".

Os implantes PIP ficaram sob os holofotes mundiais após o governo francês recomendar no fim de 2011 às dezenas de milhares de mulheres na França com estas próteses que as removessem por meio de cirurgia como medida de precaução diante de taxas anormais de ruptura da prótese.

Cerca de 300 mil implantes PIP, que são usados em cirurgia cosmética para aumentar o tamanho dos seios ou para substituir tecido mamário, foram vendidos ao redor do mundo antes da falência da empresa no ano passado.

A França registrou oito casos de câncer em mulheres com implantes mamários fabricados pela PIP, que é acusada de utilizar silicone de grau industrial, normalmente empregado em computadores e utensílios de cozinha.

Fundada em 1991, a Poly Implant Prothese tinha sede no sul da França, e durante um período foi a terceira maior fabricante de implantes do mundo, produzindo cerca de 100 mil por ano.

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