Suspeito de furtar Portinari some

O principal suspeito de ter furtado a obra Fetiche (1959), do artista plástico Cândido Portinari, de uma residência no Jardim Europa, na zona sul de São Paulo, e o substituído por uma tela falsa, em abril, está desaparecido. O marchand aposentado Jenner Accioly Lins, de 76 anos, não foi localizado nem nos endereços nem por telefone, de acordo com a delegada Beatriz Bravo Ernandes, do 15.º Distrito Policial (Itaim-Bibi). A obra está avaliada em R$ 500 mil.

LUCIANO BOTTINI FILHO, Agência Estado

13 de junho de 2013 | 08h33

Um Honda Accord que seria de Accioly foi apreendido pela polícia na Rua Capote Valente, em Pinheiros, na zona oeste, no dia 3, com uma fotografia da obra. Uma denúncia anônima indicou que o automóvel estava abandonado havia dois meses. Dentro do carro, de acordo com dados que constam no inquérito, estava um recibo que prova que o veículo é dele, apesar de estar no nome de outra pessoa.

O carro está à disposição de Accioly na delegacia, mas não foi reivindicado. Segundo informações levantadas pela polícia, ele estaria hospedado numa pensão em Pinheiros.

Nenhum familiar que indicasse pistas do paradeiro do marchand foi encontrado. Ele teria se separado recentemente da mulher, segundo uma carta encontrada pela polícia dentro do carro. No veículo, também havia vários protestos de dívidas vencidas.

O desaparecimento é visto com cautela pela polícia. "Nos endereços que nós temos, não logramos êxito em localizá-lo. Qualquer afirmação seria leviana", afirmou Beatriz. Um perito do Projeto Portinari deverá vir do Rio nesta semana para fazer a análise do quadro falso apreendido na casa da vítima e da fotografia no veículo. O instituto faz o controle e cataloga o acervo de obras de Portinari.

"Se essa fotografia for já da tela replicada, o indício é bastante forte de envolvimento", disse a delegada. As imagens do circuito interno de TV do condomínio onde mora o proprietário da tela, o advogado criminalista Carlos Ely Eluf, ainda não chegaram à policia.

Segundo Eluf, o marchand, de quem era amigo havia mais de 40 anos, ficou sozinho por cerca de uma hora em sua sala de estar, onde está todo o seu acervo de obras de arte.

Quando o caso foi revelado, Accioly disse que entrara pela última vez no apartamento 30 dias antes do furto. A fraude foi descoberta pela filha do advogado, que notou que na moldura que estava na parede havia uma réplica e um buraco no fundo do quadro, por onde o original fora trocado. Eluf e sua mulher também possuem obras de Carybé, Carlos Páez Vilaró e Di Cavalcanti.

Depois de ter descoberto o furto, Eluf publicou um anúncio oferecendo R$ 20 mil de recompensa a quem ter pistas que levem à tela original. A delegada agora aguarda o depoimento do suspeito para poder indiciá-lo. "O próximo passo é a localização dele. A gente quer ouvir a versão dele a respeito dos fatos", afirmou Beatriz. A reportagem também não conseguiu entrar em contato com Accioly por telefone.

Obra

O Fetiche original, que não tem nenhum seguro, de acordo com o advogado, foi feito por encomenda da atriz Cacilda Becker, para estampar o convite da primeira apresentação de uma companhia brasileira de teatro na Europa, no Teatro Tivoli, em Lisboa. O quadro está registrado como patrimônio histórico e catalogado pelo Projeto Portinari. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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