Suspeito de terrorismo é preso após tentar explodir avião nos EUA

Artefato acionado por nigeriano, que disse ser da Al-Qaeda, causou queimaduras leves em passageiros durante pouso em Detroit

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

26 Dezembro 2009 | 00h00

Em uma ação classificada como terrorista pela Casa Branca, um homem detonou um pequeno explosivo dentro de um Airbus A-330 da Northwest Airlines, que vinha de Amsterdã, no momento em que aterrissava em Detroit, às 11h53 locais (14h53 em Brasília). Segundo a companhia aérea Delta (proprietária da Northewest), algumas pessoas ficaram feridas na fracassada tentativa de atentado. A aeronave, com 278 passageiros a bordo, pousou sem problemas.

Autoridades americanas acusaram o nigeriano Abdul Mudallad, de 23 anos, pela tentativa de explodir o avião. Um oficial da agência de combate ao terrorismo dos EUA disse ter sido "uma tentativa de atentado". O FBI (polícia federal dos EUA), que investiga o episódio, não soube determinar qual tipo de explosivo foi utilizado na ação.

Mudallah, de acordo com as autoridades, afirmou ser integrante da rede terrorista Al-Qaeda. Segundo ele, os explosivos teriam sido fornecidos a ele por militantes do Iêmen. Porém há suspeitas de que o nigeriano tenha agido sozinho e apenas se inspirado na organização comandada pelo saudita Osama Bin Laden. Há informações não confirmadas de que o nigeriano integrava uma lista dos serviços de inteligência dos EUA.

Alguns analistas comparavam a tentativa de atentado de ontem com Richard Reid, conhecido como o homem do sapato-bomba, que pretendia explodir um avião com explosivos colocados em seu calçado em dezembro de 2001. Depois deste episódio, passageiros nos EUA são obrigados a retirar os sapatos e os colocarem na máquina de raio-X antes de embarcarem.

Em entrevista à rede de TV CNN, o passageiro Syed Jafry afirmou que a explosão ocorreu pouco antes de a aeronave pousar no aeroporto de Detroit. "Escutamos e barulho e, segundos depois, vi uma luz seguida de fogo", disse. Sentado a três fileiras de distância de Mudallah, que estava no assento 16-G, ele acrescentou que houve pânico apenas nas cadeiras ao redor e alguns passageiros mais distantes sequer perceberam o episódio. "Um homem mais jovem o dominou e ficamos mais calmos", finalizou Jafry. Uma outra passageira acrescentou que o terrorista estava tranquilo e teria se ferido na perna. "Ele parecia uma pessoa normal", afirmou.

Em férias no Havaí, o presidente Barack Obama foi notificado por autoridades militares e realizou uma conferência com seu assessor para contra-terrorismo, John Brennan. "O presidente nos instruiu a tomar as medidas apropriadas para incrementar a segurança em viagens aéreas", disse um porta-voz da Casa Branca.

As autoridades tentam esclarecer como o nigeriano conseguiu embarcar mesmo tendo o seu nome em uma lista de extremistas. Além disso, não ficou claro como ele conseguiu passar pela segurança com os explosivos. Por causa da tentativa de atentado, as fiscalizações nos aeroportos devem ser intensificadas ainda mais nos próximos dias, o que deve provocar longas filas neste período de festas .

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