Suspeito no seqüestro do filho de Mauricio de Sousa se entrega

Ajudante de obras afirma ter participado do crime involuntariamente ao alugar casa usada como cativeiro

Simone Menocchi, de O Estado de S. Paulo,

18 de abril de 2008 | 15h34

O ajudante de obras André Luiz Pedon da Silva, de 21 anos, se apresentou nesta sexta-feira, 18, à Promotoria Pública do Estado, em Jacareí, no Vale do Paraíba, afirmando ter participado involuntariamente do seqüestro de Marcelo de Sousa, de 9 anos, filho do desenhista Mauricio de Sousa. Marcelo, a mãe, Marinalva Pereira dos Santos, e o meio-irmão, Victor Hugo Pereira de Almeida, de 2 anos, foram seqüestrados em março e permaneceram 18 dias reféns, tendo passado por quatro cativeiros.   Veja também: Investigação do seqüestro do filho de Mauricio será sigilosa 'Meu filho foi um heroizinho', diz Mauricio de Sousa   André Luiz Pedon da Silva decidiu se apresentar à Justiça para tentar provar que participou do seqüestro de forma involuntária. "Ele alugava um quarto em uma casa em São Sebastião, onde trabalhava como ajudante, fazendo guias, e uma noite chegaram três pessoas para ficar em outro quarto. Disseram para ele que eram turistas", contou o advogado de defesa, José Antonio Ferreira.   Segundo o advogado, depois de dois dias, André percebeu que não eram turistas e que se tratava de um seqüestro. "Ele avocou as vítimas como suas testemunhas de defesa para provar que realmente não sabia de nada, mas depois que soube, não podia ir embora".   Na noite de 6 de abril, quando o cativeiro foi descoberto pelos policiais da Delegacia Anti-Seqüestro e as vítimas libertadas, André estava na casa e fugiu com medo da polícia. "Ele sabia que se vissem ele ali, iriam pensar que também era um dos seqüestradores. Ele quer pagar o que deve à Justiça".   Ainda de acordo com Ferreira, André se apresentou para obter benefícios que atenuem sua pena em até um terço. "Ter se apresentado é um fator importante para redução da pena".   Desde que houve a libertação das vítimas sem o pagamento de resgate foram presos Peterson Nascimento da Silva, Francisco Rodrigues dos Santos e Alessandro Rodrigues de Sousa. O suposto quarto integrante da quadrilha se apresentou ao promotor da Vara Criminal de Jacareí, Nelson Garcia Rosado.

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