Syngenta vê risco de falta de insumos com safra recorde

Um plantio recorde da soja no Brasil previsto para a temporada 2012/13 pode acarretar na falta de sementes e eventualmente também de defensivos agrícolas, se a demanda crescer acima do esperado, disse nesta quinta-feira o presidente da Syngenta no Brasil, braço do maior grupo de agroquímicos do mundo, com sede na Suíça.

GUSTAVO BONATO, Reuters

16 de agosto de 2012 | 15h18

Laercio Giampani disse à Reuters que vê a safra brasileira de soja crescendo em 2 milhões de hectares em 2012/13, sobre 24,8 milhões plantados na safra 2011/12, acrescentado mais 2 milhões de sacas de sementes à demanda brasileira.

"Esse números evoluem o tempo todo... Os negócios não estão todos concretizados. É um desafio. Vai haver uma demanda maior e nós trabalhamos hoje com a possibilidade de termos falta de alguns produtos no Brasil", disse ele após evento de lançamento de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) na BM&FBovespa, em São Paulo.

Giampani explicou que para a demanda projetada pela companhia há sementes disponíveis no país. Mas "se houver uma tendência de aumento ainda maior do que isso, aí sim provavelmente não vamos ter sementes disponíveis no mercado".

"Praticamente todos os produtores de sementes estão com seus volumes todos vendidos, comercializados."

Consultorias que acompanham o mercado de grãos no Brasil afirmam que os elevados preços da soja nos últimos meses têm estimulado a expansão da área dedicada à oleaginosa.

A cotação da soja no porto de Paranaguá, medida pelo Indicador Esalq/BM&FBovespa, permanece acima da marca histórica de 80 reais a saca de 60 kg desde meados de julho.

Desde fevereiro o índice, que serve de referência para o mercado brasileiro, acumula alta de 74,2 por cento, acompanhando a elevação nos mercados internacionais, influenciados principalmente pela pior seca em mais de 50 anos que atinge o cinturão de grãos dos Estados Unidos.

O presidente da Syngenta lembrou que o planejamento e a produção de sementes precisam ser feitos com até duas safras de antecedência e que não é fácil atender a um aumento súbito de demanda.

"As sementes hoje são uma questão muito regional. Variedades e ciclos são adaptados regionalmente. Você não consegue movimentar semente do sul para o norte para poder suprir um 'gap'."

DEFENSIVOS

Giampani também alertou para o aperto no mercado de defensivos (herbicidas, fungicidas, inseticidas) a partir do momento em que a próxima safra de soja for plantada.

"Para defensivos, se tivermos um ataque de pragas ou de doenças maior do que o histórico, é possível sim que a gente venha a ter, em algum momento, falta."

Fungos, por exemplo, costumam aparecer em períodos mais úmidos.

Meteorologistas alertam que crescem as chances de os próximos meses serem mais chuvosos em função do fenômeno El Niño, caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico, afetando o regime de chuvas em regiões tropicais.

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