Tabaco teria matado 50 milhões em dez anos

As mortes relacionadas ao tabaco triplicaram na última década e grandes empresas do setor criam obstáculos para esforços públicos que poderiam reduzir esse índice, informou a Fundação Mundial do Pulmão em um relatório divulgado ontem.

LONDRES, O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 03h03

No documento, que celebra o décimo aniversário do seu primeiro Atlas do Tabaco, a fundação e a Sociedade Americana do Câncer afirmaram que, se continuarem as tendências atuais, 1 bilhão de pessoas morrerão neste século por causa do consumo de tabaco e da exposição a ele - o que corresponde a uma pessoa a cada 6 segundos.

O tabaco matou 50 milhões de pessoas nos últimos dez anos e é responsável por mais de 15% de todas as mortes de homens e por 7% das mulheres, segundo o novo atlas. Na China, o fumo é a principal causa de morte, com 1,2 milhão por ano; em 2030, o índice deve subir a 3,5 milhões de pessoas por ano.

Michael Eriksen, um dos autores do relatório, afirma que as mortes por tabaco "estão crescendo em países em zonas de desenvolvimento, particularmente na Ásia, na África e no Oriente Médio".

Quase 80% das pessoas que morrem de doenças relativas ao fumo são de países com grande quantidade de população de baixa renda. Na Turquia, 38% das mortes de homens adultos decorrem por causa do cigarro, embora o tabaco também seja a principal causa de morte entre as mulheres nos Estados Unidos.

Segundo o relatório, a indústria intensificou sua luta contra as políticas antitabaco, movendo ações legais e atrasando ou detendo a introdução de maços sem rótulos, de advertências sanitárias nos pacotes e a proibição do consumo em lugares públicos e da publicidade. As seis principais empresas do setor lucraram US$ 35,1 bilhões em 2010, equivalente ao faturamento de Coca-Cola, Microsoft e McDonald's juntos. / REUTERS

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