Tailândia manda prender ex-premiê Thaksin por terrorismo

Um tribunal tailandês emitiu na terça-feira mandado de prisão contra o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, acusado de terrorismo por causa dos distúrbios dos últimos dois meses, os piores na história moderna do país.

NO, REUTERS

25 de maio de 2010 | 10h21

De posse dessa ordem judicial, o Ministério Público e a chancelaria vão lançar uma caçada global ao fugitivo magnata das telecomunicações, segundo uma importante fonte oficial.

Acredita-se que Thaksin tenha ido à França assistir ao Festival de Cannes - onde um filme tailandês recebeu o prêmio máximo. Sua localização concreta, no entanto, é tratada como segredo por ele e seus seguidores.

O populista Thaksin, deposto por um golpe militar em 2006, é o grande inspirador do movimento dos "camisas vermelhas", que durante semanas paralisou o centro de Bangcoc com seus protestos pela realização imediata de eleições na Tailândia.

Os "camisas vermelhas" dizem que o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, apoiado pela elite civil e militar de Bangcoc, não tem legitimidade para continuar governando.

"O tribunal disse que há suficiente evidência para crer que Thaksin foi o mentor (dos distúrbios), tendo desempenhado um papel significativo na instrução e manipulação dos incidentes", disse à Reuters Tharit Pengdit, diretor do Departamento de Investigações Especiais.

Fontes do governo dizem que Thaksin gastou cerca de 1,5 milhão de dólares por dia para financiar as dez semanas de protestos, e que também teria organizado um contrabando de armas e combatentes a partir do vizinho Camboja.

Ele pode ser condenado à morte.

Em sua página do Twitter (http://twitter.com/thaksinlive), o ex-premiê rejeitou as acusações de terrorismo. "Como um primeiro-ministro que conquistou duas vitórias eleitorais esmagadoras, fui deposto num golpe", escreveu ele em língua tailandesa. "Quando estava lutando pacificamente para que a Justiça devolvesse meu patrimônio roubado, fui esbofeteado com acusações de terrorismo."

Pelo menos 85 pessoas morreram e mais de 1.400 ficaram feridas por causa da violência política em Bangcoc desde abril.

Na semana passada, o Exército invadiu o acampamento dos manifestantes, desencadeando uma batalha campal e uma onda de incêndios que atingiu 40 edifícios. Na quinta-feira passada, os "camisas vermelhas" começaram a se dispersar, e desde então não há relatos de violência.

Jatuporn Prompan, principal líder dos protestos, chegou a ser preso, mas acabou liberado por possuir imunidade parlamentar. Na terça-feira, ele disse que não apoia a violência, mas que a atual retórica do governo pode causar mais tumultos.

"Um plano de reconciliação do governo não deve incitar ao ódio, à incompreensão e às acusações (...), do contrário este vulcão vai entrar em erupção", disse ele a jornalistas antes de ser ouvido por investigadores.

(Reportagem adicional de Pracha Hariraksapitak e Chalathip Thirasoonthrakul)

Tudo o que sabemos sobre:
TAILNDIAPRISAOTHAKSIN*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.