Tamiflu só alivia sintomas da gripe, diz estudo

Não há evidências de que remédio impeça agravamento da doença

THE GUARDIAN e AP, O Estadao de S.Paulo

09 Dezembro 2009 | 00h00

Há poucas evidências de que o medicamento oseltamivir (Tamiflu), usado contra a gripe, consiga impedir complicações em pessoas saudáveis que contraem a doença sazonal, concluiu um grupo de especialistas independentes em artigo publicado ontem na respeitada revista científica British Medical Journal (BMJ). A Roche, fabricante do remédio, não disponibilizou ao público parte dos estudos realizados, alertaram os cientistas, que mostram que o medicamento apenas reduz os sintomas em um ou dois dias.

O trabalho coloca combustível na polêmica sobre se vale a pena os governos investirem grande quantidade de recursos públicos na compra da droga durante epidemias de gripe e sobre os seus riscos. "Governos gastaram bilhões de dólares num remédio que a comunidade científica vê-se agora impossibilitada de avaliar", disse Fiona Godlee, editora da BMJ.

Em setembro deste ano outro painel de especialistas, a serviço do governo inglês, também questionou, em artigo publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, o valor clínico da medicação e de sua concorrente, o zanimivir (Relenza), destacando que era melhor investir em vacinas. Porém, não concluiu sobre seu efeito em relação às complicações, mas sobre a redução de sintomas da gripe. No Brasil, um estudo preliminar do governo do Rio Grande do Sul também questionou a sua eficácia em pacientes graves.

O grupo independente responsável pelo novo estudo é vinculado à Colaboração Cochrane Review, organização não governamental que revisa informações de saúde. Na análise, foram considerados artigos já publicados e que avaliaram o uso do Tamiflu contra a gripe sazonal em adultos saudáveis. Segundo os especialistas, as conclusões também trazem dúvidas sobre o uso da droga contra a gripe suína.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, saiu em defesa do uso do Tamiflu na epidemia de gripe suína, destacando que o remédio pode reduzir a severidade dos sintomas se usado no início da doença. "O estudo não vai mudar as nossas recomendações", disse Charles Penn, expert da OMS em antivirais, que destaca que devem ser priorizados grupos de maior risco, como mulheres grávidas. No Reino Unido, no entanto, o governo também dá a droga para pessoas saudáveis e jovens que contraem a doença. Em comunicado, a Roche reafirmou a eficácia do remédio.

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