Beto Oliveira/AE
Beto Oliveira/AE

Tecidos do A. C. Camargo são vendidos no interior de SP

Hospital de SP diz que fez descarte seguro; peças de roupa tinham logomarca do centro

MONICA BERNARDES, ESPECIAL PARA O ESTADO / RECIFE, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2011 | 03h01

O comércio de lixo hospitalar na forma de lençóis, fronhas e jalecos usados e reaproveitados por confecções também envolve instituições de São Paulo. Ontem, peças de roupa com a marca do Hospital A. C. Camargo, referência do País no tratamento de câncer, foram encontradas em loja de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. O material foi entregue à Vigilância Sanitária local. O hospital informou que segue política de descarte seguro do lixo hospitalar e que "não é possível afirmar onde as peças com logotipo da instituição foram desviadas da cadeia correta de descarte". Veja nota à imprensa divulgada pelo A.C. Camargo.

As recentes apreensões desse tipo de lixo hospitalar, reaproveitado por confecções em várias regiões do País, indicam que não há controle sobre esse tipo de comércio. Embora a Anvisa faça uma distinção clara entre o que é lixo hospitalar - lençóis sujos e contaminados, que devem ser incinerados - e lixo comum, como são classificados lençóis e jalecos de hospitais que passam por processo de desinfecção e podem ser revendidos, as confecções não usam certificados de origem ao revender esse material.

Um dia depois da apreensão de 830 quilos de tecidos com logomarcas de vários hospitais, que eram comercializados por uma confecção de Ilhéus (BA), uma loja no centro de João Pessoa (PB) vendia calças jeans em cujos bolsos aparece a inscrição "Hospital Brasília". A calça foi comprada pelo jornalista Paulo Maia, 42 anos, que fez a denúncia. O Hospital Brasília, que é privado e está localizado no Distrito Federal, nega ter comercializado o material e assegura que seus lençóis e fronhas usados são incinerados - aumentando mistério em torno do material.

A extensão desse negócio começou a vir à tona após a apreensão, na semana passada, de dois contêineres no Porto de Suape (PE) com 46 toneladas de lençóis e fronhas usados com nomes bordados de hospitais americanos. A carga, oficialmente "retalhos de tecidos", era endereçada a uma empresa que importa tecidos com defeito de tecelagem de Santa Cruz de Capibaribe, no agreste pernambucano, que abriga um polo têxtil com mais de 22 mil empresas.

Em Teresina (PI), segundo noticiou ontem o jornal Folha de S. Paulo, o varejo da cidade oferece lençóis e fronhas usadas com logomarca de mais de uma dezena de hospitais e clínicas de várias regiões do País. O mesmo ocorreu em Fortaleza.

Preço bom. A dona de casa Márcia Maria Calas Góes, 48 anos, comprou, em 15 de março, quatro toalhas, por peso, no Brasil Forrozão dos Tecidos Nacionais e Importados, em Santa Cruz do Capibaribe, onde mora, sem perceber que duas delas traziam o logotipo "Hospital Health". Achou o preço e o tecido bons - cinco toalhas saíram por R$ 15,84. O Forrozão dos Tecidos foi interditado anteontem, por precaução, pela Vigilância Sanitária.

Ainda ontem, um caminhão com 13 toneladas de retalhos com logomarcas do hospital Santa Izabel e um motel chamado Magnum foi apreendido pela Secretaria da Fazenda de Pernambuco e a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) reforçaram a suspeita de que o comércio irregular ocorre em todas as regiões do País. Parte da carga do veículo - que transportava 13 toneladas , cuja localização não é conhecida - apresentava manchas marrons e amareladas, indicativo de que o material não passou pelo processo de desinfecção. / ADELSON BARBOSA DOS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO, COM ÂNGELA LACERDA, ENVIADA A SANTA CRUZ DE CAPIBARIBE

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