Técnica da Unesp eleva valor nutricional de silagem de milho

Com máquina apropriada, grãos são esmagados, facilitando[br]ação de microrganismos no rúmen de bovinos

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2009 | 02h55

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Com a introdução de uma operação simples na confecção de silagem de milho, pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu (SP) obtiveram um volumoso mais nutritivo e melhoraram o rendimento do material.

Conforme o professor de Forragicultura e Pastagem da faculdade, Ciniro Costa, o esmagamento do material, após a picagem, aumentou sua "degradabilidade" em 30%, o que melhorou o aproveitamento do volumoso pelo animal. Para verificar os resultados, o alimento foi depositado no rúmen de três vacas por meio de uma fístula ruminal, abertura cirúrgica que permitiu o acesso da silagem direto ao rúmen. "Na ensilagem convencional, a picagem deixa muitos grãos inteiros, o que impede o trabalho dos microrganismos ."

Costa explica que o esmagamento dos grãos em um sistema de rolos compressores (como um engenho de cana) quebra a película de celulose que envolve o grão de milho. "Isso favorece a ação dos microrganismos no amido do grão, tornando-o mais nutritivo", diz. Costa é o orientador da dissertação de mestrado Silagem de planta inteira processada, de Marco Aurélio Factori. "Esta inovação trouxe melhoras significativas, principalmente em relação à degradabilidade e digestibilidade do material, com maior absorção do volumoso pelos animais."

Outra vantagem é o aumento da janela de colheita do milho. Na silagem tradicional, a colheita é feita no intervalo que compreende a metade do grão cheio (um quarto leitoso) até seu completo enchimento (camada preta). "É um período curto, de uma semana. Se nesse intervalo chove, perde-se o ponto de colheita, pois a camada preta 'fecha' o grão e os microrganismos não têm como atacá-lo." Com o esmagamento, pode-se colher o grão mesmo após o ponto ideal, pois o processo quebra a película que envolve o grão.

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