Técnica também ajuda pacientes com câncer

A dona de casa Conceição Maria de Rezende, de 74 anos, está em tratamento de câncer de mama e faz sessões de acupuntura no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) para reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia. Ela sente dormência nas mãos e nos pés.

O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2012 | 04h32

Conceição foi diagnosticada com a doença em janeiro de 2011 e desde então já passou por 27 sessões de radioterapia e 27 sessões de quimioterapia.

Por conta dos efeitos colaterais - previstos em pacientes com câncer - ela foi encaminhada para o tratamento complementar no ambulatório de acupuntura do Icesp, que funciona há quase três anos e atende cerca de 300 pacientes por mês.

"Eu nunca tinha feito acupuntura antes, nunca imaginei que algum dia faria. Eu só conhecia de ouvir falar, de ver na TV, no jornal", diz a dona de casa, que faz as aplicações com agulhas uma vez por semana, em sessões de 30 minutos.

"Comecei a melhorar depois da terceira sessão. Hoje não sinto mais nada nas mãos, mas ainda sinto dormência nos pés. Já fiz umas sete sessões e gosto muito", afirmou Conceição.

O projeto. O programa de acupuntura do Icesp atende exclusivamente pacientes que são tratados e acompanhados pelo hospital. Segundo a médica Rebeca Boltes Cecatto, que trabalha no ambulatório do Icesp, as principais indicações de acupuntura para o doente oncológico são para o controle da náusea e dos vômitos, da boca seca, tratamento da insônia e ansiedade, além da dormência de mãos e pés.

"Esses são sintomas bem prevalentes nos pacientes. Mas é importante deixar claro que a acupuntura não interfere na evolução da doença, não trata o câncer, mas sim atua na redução dos efeitos colaterais do tratamento. É necessário fazer várias sessões, prolongadas, para que o resultado seja melhor", explica a médica.

Para Rebeca, o aumento na procura por tratamentos de acupuntura no SUS reflete os resultados e a segurança da técnica.

"A acupuntura é muito segura, tem pouquíssimas contraindicações, já tem resultados bem estabelecidos. Em muitos casos, o paciente entra no consultório e sai sem dor na primeira sessão. Por isso, é de se esperar esse aumento na procura", avalia a médica do Icesp. / F.B.

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