Técnicas turbinam a produção

Milho adensado, soja mais arejada e sementes refrigeradas a 11 graus elevam produtividade em Itaberá (SP)

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2008 | 03h58

Com os bons preços dos grãos, produtores do sudoeste paulista investem em tecnologia para obter mais rendimento sem aumento de área. A padronização das lavouras de milho e soja com o uso das mesmas máquinas para plantio e colheita resultou no adensamento do milho e ganho de 8% na produtividade, além de custo menor.Outra técnica consiste na aplicação de ar frio para aumentar em 120 dias a vida útil das sementes e melhorar a germinação. Os agricultores também investem em agricultura de precisão e no cultivo intensivo, para colher 2,3 safras na mesma área, em um ano.Conforme o agrônomo Paulo Leandro de Barros, da Secretaria de Agricultura do Estado, os produtores da atual geração, muitos com formação acadêmica aliada à prática do campo, buscam técnicas para produzir mais, com menor custo.Como trabalham com grãos considerados commodities, como a soja, o milho e o trigo, com preços ditados pelo mercado internacional, os agricultores sentiram a necessidade de transformar suas fazendas em empresas. ''A competição é grande e quem não se atualizar corre o risco de ficar fora do mercado'', diz Barros.Na quinta-feira, mais de cem agricultores se reuniram na Fazenda Lagoa Bonita, em Itaberá, para um dia de campo sobre o novo modelo de agricultura. O plantio adensado do milho já é rotina na propriedade, que planta 5 mil hectares de grãos/ano. ''Antes plantávamos o milho com 90 centímetros entre linhas. Hoje, com a redução para 50 centímetros, usamos a mesma máquina para plantar soja, milho e feijão'', diz o proprietário Ariovaldo Fellet.É recomendável apenas reduzir um pouco o número de plantas por metro linear. Mesmo assim o ganho de produtividade foi de 8%. Ele conta que o melhor é a redução no custo operacional. Eram necessários três funcionários, por dois dias ou mais, para fazer a conversão da soja para o milho numa plantadeira de 12 linhas. ''Hoje, basta meia hora para limpar a máquina e abastecer com a outra semente.''Mofo brancoO agrônomo Roberto Ishimura, que dá assistência a produtores da região, diz que a soja fica menos sujeita ao mofo branco. A soja era plantada com 45 centímetros entre linhas e ganhou mais 5 centímetros de espaço. As plantas recebem sol e ficam mais arejadas. ''A produtividade melhorou.'' No milho, o adensamento resulta em espigas mais homogêneas. Na colheita o rendimento hora-máquina aumentou com a redução no espaçamento.Semestes geladasA Lagoa Bonita também adquiriu o equipamento ''cool seed'' (semente gelada) para refrigeração das sementes de grãos. Resfriadas a uma temperatura de 11 graus, elas mantêm o poder de germinação por um período adicional de até 120 dias. Fellet explica que a temperatura mais baixa retarda o amadurecimento da semente e inibe o desenvolvimento de fungos e microrganismos. No caso da semente do trigo, a refrigeração elimina a necessidade do expurgo contra carunchos.Fellet investe também na ampliação da irrigação no feijão, que já atinge 2.300 hectares e em breve receberá um novo pivô. Toda a área é de plantio direto sobre a palha da lavoura anterior e, em alguns casos, a máquina de plantar acompanha, no campo, a de colher. Ou seja, mal sai uma lavoura e outra já toma o lugar.Informações: Lagoa Bonita, tels. (0--15) 3526-1569 e 3624-7331

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