Tecnologia em alta no campo

Produtores conhecem cada vez mais sobre GPS e outros sitemas eletrônicos para operar sofisticadas máquinas

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2008 | 03h24

Dispor de uma máquina moderna e sofisticada na propriedade não é questão apenas de ter o capital necessário para pagar o investimento. É preciso, além disso, ter mão-de-obra capacitada para fazer o investimento valer a pena. Hoje, termos como GPS e computador de bordo já fazem parte do dia-a-dia de produtores, que têm de acompanhar a evolução tecnológica para não perder em competitividade.Para o fruticultor Ademar Yoshio Ogata, da Fazenda Santa Maria, em Taquaritinga (SP), a principal dificuldade ao comprar uma máquina ''com computador'' é em relação à mão-de-obra capacitada para operá-la. Ogata, que tem 150 hectares de manga e 1.200 de laranja, adquiriu, em agosto, um moderno pulverizador.TREINAMENTOA fabricante deu o treinamento necessário ao funcionário que opera o equipamento. ''Desde a entrega do produto foi ensinado um passo-a-passo para usar corretamente o pulverizador. A empresa ofereceu esse acompanhamento'', diz Ogata. ''O operador, por ser jovem e ter mais familiaridade com computador, absorveu o treinamento com facilidade.''O produtor de cana-de-açúcar Arquimedes Carrilho Celeri, da Fazenda Ouro Branco, de 1.200 hectares, em Votuporanga (SP), conta que inscreveu seus funcionários em cursos de treinamento seis meses antes de receber três colhedoras equipadas com GPS. Os cursos foram feitos em usinas e no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba (SP). ''A própria fabricante tem um convênio com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e disponibiliza instrutores aos clientes.'' A preocupação em ter mão-de-obra capacitada é tão grande que Celeri treina sempre uma equipe de trabalhadores a mais para deixar de reserva, caso necessário.ENTREGA TÉCNICAA tendência das fabricantes de máquinas e equipamentos dotados de tecnologia embarcada, como computador de bordo e sistema de posicionamento global (GPS), é ir além da simples venda do produto.Hoje, já faz parte da estratégia de vendas das empresas fazer a ''entrega técnica'', que inclui, após a compra, cursos e treinamentos de operadores e mecânicos para funcionários da propriedade rural.Conforme o gerente de Produto de uma fabricante de tratores, Eduardo Guimarães de Sousa Filho, a própria revenda é responsável pela entrega técnica, pois há equipes capacitadas em centros de treinamento da empresa em parceria com universidades e outras instituições. ''A tecnologia serve para facilitar a vida do produtor e não para ser uma barreira'', diz.O engenheiro agrônomo Gilmar Sgarbossa, que trabalha para uma fazenda de 11 mil hectares em Maracaju (MS), e que produz soja, milho, algodão e feijão, foi à Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), com a intenção de comprar um trator com potência entre 270 e 300 cavalos. Além de um bom motor e sistema de câmbio, ''deve ter um sistema completo de controle de gerenciamento, como horas trabalhadas e consumo de combustível'', diz. ''E isso só é possível com tecnologia. É como comparar um Fusca velho e um moderno'', diz. Na fazenda, ele conta que já vem treinando funcionários para a operação de GPS.MAIS QUE FORNECEDOREle diz que, pelo fato de a máquina exigir um operador bem treinado, é necessário que a empresa seja mais que uma simples fornecedora de um produto. Para ele, a empresa deve ser parceira, facilitando a aquisição de peças e acompanhando a manutenção.''Falo isso porque algumas janelas de plantio, os intervalos entre um plantio e outro, são muito curtas, às vezes de 30 dias. Se eu ficar com uma máquina parada por dez dias esperando a reposição de uma peça, perco o prazo'', justifica. ''Mas, por enquanto, sinto que as empresas estão receptivas a essa demanda.''O produtor George Sato, de Ventania (PR), aposta na tecnologia de bordo para reduzir as perdas em suas lavouras de grãos. Ele possui 250 hectares de milho e soja e planta trigo no inverno (170 hectares). Acabou de comprar uma colhedora computadorizada, com sensor de umidade e com rotor de tecnologia avançada (ATR), hidráulico.ROTORO equipamento antigo é dotado de rotor de correia. ''O rotor é responsável por debulhar o milho. O sistema hidráulico gira para os dois lados, o que faz essa operação parecer manual, sem danificar os grãos. Já o de correia debulha com espiga e tudo, depreciando a produção.''Além de reduzir perdas, conta que pretende aumentar a colheita de 12 hectares/dia para 45 hectares/dia. O GPS embutido, afirma, controla, por exemplo, quanto foi colhido por hora e por área e se houve perdas. Um cartão de memória que pode ser acoplado no laptop é outro item. A máquina custou R$ 590 mil.Sato diz que fará, junto com um funcionário, um curso de 15 dias de operação e manutenção, em Santa Rosa (RS), na fábrica da empresa. O produtor conta que pesquisou, desde o ano passado, vários modelos de colhedoras até decidir pela compra.''Uma máquina dessa exige, no mínimo, 700 hectares plantados'', diz ele, que pretende terceirizar o uso da colhedora, já que a região é carente de mecanização. Na sua região, calcula que haja cerca de 500 hectares onde há o potencial de terceirizar o serviço. ''A máquina deve se pagar em cinco a seis anos'', calcula Sato, que receberá o produto em setembro, para já fazer a colheita de trigo, no mês de novembro.

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