Têm álcool as cervejas sem álcool?

Em tempos de restrição ao consumo de bebidas para motoristas, Paladar testou algumas das marcas com até 0,5% de teor alcoólico disponíveis no mercado. Três delas se destacaram. Mas nem todas, segundo produtores, se adeqüam aos limites da nova lei

Roberto Fonseca, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2008 | 03h48

É uma idéia que apavora os marmanjos cervejeiros mais destemidos: uma degustação só com cervejas não-alcoólicas. ''Que mal eu fiz para você?'', brincou o degustador e cervejeiro caseiro Eduardo Passarelli, ao ser convidado para participar do teste do Paladar com sete marcas ''sem álcool'' mais facilmente encontradas no mercado. Os tempos de lei seca ao volante, porém, chegam a tornar a hipótese convidativa - depois do táxi, do rodízio de amigos sóbrios, do transporte público, da caminhada até o bar mais próximo e de outras alternativas, claro. Além de Passarelli - e do autor da matéria -, aceitou o desafio o ''caçador de cervejas'' carioca Luiz Guilherme Belmonte, o LG. Em seu curriculum ''sem álcool'' vitae, ele lista 85 marcas do mundo todo. LG também é cervejeiro caseiro e ''pai'' do estilo ''4q2n'', que explica: ''Qué, qué; num qué, num qué''. A degustação foi feita às cegas, considerando só impressões de gosto de cada um. Das sete marcas, a Erdinger Alkoholfrei difere por ser de trigo e alta fermentação. As outras se aproximam mais de pilsens industriais - exceto pelo álcool. Após a prova dos copos, três marcas se destacaram: Liber e Kronenbier, da Ambev, e Erdinger. A primeira chamou atenção pelo aroma, com toque floral/frutado suave, ao contrário das demais, que apresentavam, segundo Passarelli, um quê de mosto cervejeiro (líquido resultante da fervura do malte). Conclusão: na média, as cervejas já estão além do nível ''refrigerante de cevada''. Se chegam à qualidade de boas receitas alcoólicas? Aí já é outra história. CRESCIMENTO Segundo a Ambev, na primeira quinzena de julho, a Liber teve aumento de 25% nas vendas sobre junho. Das cervejas testadas, ela e a Warsteiner indicam no rótulo ''0.0% de álcool''. As demais seguem decreto de 1997, pelo qual cervejas não-alcoólicas devem ter até 0,5%. Mas a lei seca ao volante coloca essas últimas acima do limite permitido, como admitem os próprios produtores e importadores. E gera reclamações: ''Nenhuma cerveja com menos de 0,7% tem efeito alcoolizante. É contra-senso'', diz Tatiana Spogis, da Bier& Wein, que importa Erdinger e Warsteiner. ''Até abacaxi pode gerar álcool.'' Além das marcas degustadas, já estiveram no mercado Amsterdam Liberator e Kunstmann - difíceis de achar ultimamente. E a Belco, de Botucatu. Como é produzida Há dois métodos para produção da cerveja considerada não-alcoólica pela legislação brasileira (abaixo de 0,5%): Inibição da produção de álcool - A fermentação é interrompida antes que a levedura produza quantidade considerável de álcool a partir da mistura de malte e água aquecidos. Sempre terá um mínimo de teor alcoólico. Retirada posterior - A cerveja é produzida normalmente e, depois, passa por equipamentos que separam o álcool. Marcas que usam esse processo geralmente indicam 0,0% de álcool em seu conteúdo.

Mais conteúdo sobre:
CERVEJA SEM ÁLCOOL

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.