'Tem de usar vídeo, computadores e outros recursos', diz aluna

Em Minas, onde nota do ensino médio não avançou, Secretaria de Educação defende que ensino seja repensado

BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h02

Apesar dos bons resultados nos primeiros anos da educação, no ensino médio Minas vai mal. O Estado não conseguiu sair da nota 3,9 no Ideb obtida em 2009, refletindo uma dificuldade generalizada das escolas brasileiras com essa etapa da educação.

Para Raíssa Oliveira, de 15 anos, do 1.º ano do Colégio Tiradentes, falta empenho e paciência dos professores. "Se um grupo de alunos está conversando, o professor vem e joga na cara de todo mundo que eles não estão nem aí para a gente, que dão aula por obrigação", afirma a estudante, que sonha fazer faculdade de Moda ou Biologia. Ontem, porém, ela não foi à aula. "É porque tinha só dois horários", justifica.

Aluna do 2.º ano da Escola Estadual Elizebete Kalil, em Contagem, Carolina Maciel, de 16, chama a responsabilidade para os próprios alunos. "Acho que o estudante precisa fazer sua parte, e os pais deveriam pegar mais no pé", diz ela, que também pede aulas mais atraentes. "Tem de usar vídeo, computador e outros recursos. É muito difícil ter interesse na matéria sem isso, ainda mais nos dias em que as aulas são de manhã e à tarde."

Para a secretária Ana Lúcia Gazolla, a nota desfavorável não é falta de investimento, mas resultado de mais de 112 dias de greve dos professores no ano passado. "Houve um boicote dos alunos ao exame promovido pelos professores em greve. Portanto, a nota 3,9 foi até lucro", diz.

Especialista em educação pública, a secretária afirma que as dificuldades no ensino médio são um problema latino-americano. "Precisamos repensar o significado do ensino médio. Estamos fazendo grande esforço, modificando a forma de trabalhar os conteúdos, aumentamos a carga horária e estamos inserindo áreas de empregabilidade definidas com alunos."

Erro de sistema. Em Salvador, o Colégio Estadual 29 de Março, que teve o pior Ideb nos anos finais do fundamental, afirma que houve um erro de sistema com sua nota. Mesmo com o eventual erro, os problemas do colégio são facilmente detectáveis, a começar pelas instalações físicas.

Funcionando há seis anos em um prédio de dois andares onde havia um ponto comercial e algumas residências, a escola, por onde circulam 800 alunos em três turnos, não esconde a precariedade da adaptação. "Talvez essa seja nossa maior carência, precisamos de um prédio apropriado para a escola", diz o vice-diretor da unidade, Paulo César Rocha.

Ele ressalta que o colégio tem sofrido com a violência dos bairros vizinhos. "Existe um conflito de traficantes que acaba afetando toda a comunidade." De acordo com ele, os índices de evasão escolar atingem de 20% a 30% por causa da insegurança, sobretudo nas turmas noturnas. / ALINE RESKALLA, ESPECIAL PARA O ESTADO. COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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