‘Temor de abertura é o mesmo dos anos 90’, diz secretário

Hussein Kalou ressalta, porém, que embora criticada à época, a abertura promoveu um salto no desenvolvimento no País

Lu Aiko Otta, Impresso

18 Novembro 2017 | 21h00

BRASÍLIA - O temor com fechamento de indústrias e perda de empregos por causa da concorrência com os importados é hoje o mesmo que havia em 1990, quando o então presidente Fernando Collor de Mello aboliu uma lista de produtos cuja importação era proibida, como carro e TV. A avaliação é do secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, Hussein Kalout. Ele ressalta, porém, que embora criticada à época, a abertura promoveu um salto no desenvolvimento no País.

Em 1990, quando o presidente Fernando Collor efetuou a abertura econômica, as ponderações eram as mesmas: o setor produtivo vai quebrar, haverá desemprego, a indústria irá falir. De lá para cá, estamos entre as dez primeiras economias do mundo e o Brasil é um País muito mais desenvolvido do que antes. É um País gerador de tecnologia. Demos um salto qualificado no nosso desenvolvimento.

Como convencer os mais frágeis desses benefícios?

É legítima a preocupação do setor privado, dos trabalhadores. Mas se o Brasil não pensar de forma mais objetiva em como sair dessa discussão, ficaremos à margem do desenvolvimento mundial, das cadeias produtivas globais. Uma abertura econômica tem de seguir algumas balizas. E ocorrer de forma paulatina, ordenada, pois há setores aptos a isso e outros que devem se preparar. O objetivo do debate não é discutir se uma abertura deve ser feita hoje, amanhã ou depois, e sim como deve ser feita. E qual deve ser o calendário.

Então, é diferente do que fez o Collor, que deu uma pancada nas fábricas de “carroças”.

Naquela época, talvez fosse necessário se fazer daquela forma. Talvez agora se possa fazer de outra, setorial, que aufere proteção a setores vitais para a segurança nacional.

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