Temor de violência se espalha por minas da África do Sul

Os distúrbios trabalhistas se espalharam nesta quarta-feira pelo cinturão da platina da África do Sul, gerando temores de que a insatisfação pelos baixos salários e más condições de moradia dos mineiros provoque mais violência, depois da morte de 34 trabalhadores em confronto com a polícia na semana passada.

ED STODDARD, Reuters

22 de agosto de 2012 | 09h51

O conflito, que começou na mina de Marikana, pertencente à empresa Lonmin, já elevou a cotação global da platina a mais de 1.520 dólares por onça, maior valor desde maio, além de motivar preocupações sobre uma fuga de investimentos da África do Sul.

Na quarta-feira, a mineradora Anglo American Platinum, maior produtora mundial do metal, disse ter recebido reivindicações de aumentos salariais para seus funcionários na África do Sul. Paralelamente, um sindicato disse que operários da mina de Rasimone, pertencente à Royal Bafokeng Platinum, estavam sendo impedidos por colegas de chegarem aos seus locais de trabalho.

A inquietação trabalhista foi desencadeada por uma disputa entre dois sindicatos por filiados na mina Marikana. Dez pessoas já haviam sido mortas na semana passada antes de a polícia disparar contra os grevistas, num incidente que evocou lembranças da violência do apartheid. O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, ordenou uma investigação.

"No último par de anos, a África do Sul tem testemunhado um número de greves e protestos cada vez mais violentos, em parte devido ao agravamento da pobreza, ao aumento da desigualdade social, aos baixos salários e à oferta ruim de serviços sociais", disse em nota na quarta-feira a entidade de direitos humanos Human Rights Watch, que tem sede nos EUA.

O grupo pediu que o inquérito governamental aborde as condições socioeconômicas subjacentes ao conflito.

Lentamente, os trabalhadores começaram a voltar nesta semana à mina da Lonmin, mas a maioria permanece afastada, temendo se envolver no conflito que opõe o tradicional sindicato NUM à facção dissidente conhecida pela sigla AMCU.

Zuma, que nomeou uma comissão para investigar a violência, vem tentando assegurar aos investidores estrangeiros que seu dinheiro está seguro na África do Sul. Ele também tem feito apelos aos envolvidos para que parem com as agressões.

A oposição acusa Zuma e seu partido, o CNA, de terem instalado vários ex-dirigentes do NUM em cargos públicos de alto escalão, de adotar políticas de policiamento ruins, e de não prestarem suficiente atenção aos problemas dos operários que trabalham nas profundezas das minas.

(Reportagem adicional de Peroshni Govender em Marikana, Sherilee Lakmidas em Johanesburgo e Amanda Cooper em Londres)

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