''Temos confiança no Arruda'', diz Maia

Cúpula do DEM garante apoio a governador, pelo menos enquanto não houver prova de sua ligação com esquema

Rosa Costa e Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou ontem que partido só vai tomar uma posição sobre o episódio que envolve o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), em suposto mensalão, depois de ter conhecimento total das investigações em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, descobriu suposta distribuição de recursos ilegais, uma espécie de mesada, a parlamentares da base aliada de Arruda.

Segundo Maia, o governador do DF está colaborando com todas as apurações. "O STJ está fazendo as investigações e vamos esperar essas apurações. Temos a total confiança no governador ", afirmou ontem, no início da noite.

Em sua avaliação, a nota divulgada pelo STJ, que sugere a existência de um mensalão no DF, apenas dá uma explicação sobre as investigações, sem apontar culpados. "É importante que tudo seja esclarecido", observou Maia. Ele disse "estranhar" a posição da Polícia Federal. "A nós estranha a posição da Polícia Federal, dias depois de o presidente Lula pedir para que ela tenha operações com mais cuidado", afirmou o presidente do DEM.

O líder do partido no Senado, José Agripino Maia (RN), garantiu que Arruda continuará tendo apoio do partido, enquanto não surgirem provas contra ele. "Não conheço as denúncias, sei que é sobre licitações envolvendo os secretários. Portanto, até que surjam fatos posteriores, o partido mantém a confiança no seu governador."

O senador disse que tentou falar com Arruda por telefone, mas não conseguiu. "Preciso me encontrar com ele para me inteirar dos fatos e para oferecer a interlocução congressual que o assunto vai impor."

A assessoria de Arruda informou que ele não pretendia falar antes de conhecer o inteiro teor do inquérito. Até o fim da tarde, segundo a assessoria, o governador só havia recebido os documentos que tratavam dos mandados de busca e apreensão.

INFILTRADO

As investigações avançaram com a ajuda do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que trabalhou infiltrado no governo Arruda. Ex-delegado da Polícia Civil e ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan), ele trabalhava havia meses com equipamento de escuta sob as roupas.

Barbosa conseguiu captar diversas conversas que sustentam o inquérito sob coordenação do juiz Fernando Gonçalves, do STJ. Ele concordou em fazer as escutas depois de fechar acordo de delação premiada para reduzir pena por participação em operação de corrupção no governo de Joaquim Roriz (PSC).

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