Templo de padre Marcelo abre hoje sem Habite-se

A obra erguida em Interlagos, que levou oito anos para ficar pronta, tem alvará para funcionar só até o fim do ano

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2012 | 02h03

O megatemplo do padre Marcelo Rossi, em Interlagos, zona sul da capital, abre as portas hoje para missa especial de Finados, a partir das 11 horas. A obra, que levou oito anos para ficar pronta, tem capacidade de abrigar cerca de 100 mil pessoas, sendo 20 mil sentadas. Mas, por enquanto, a igreja só tem alvará provisório, com prazo de validade de 31 de dezembro, já que a edificação ainda não recebeu o Habite-se, documento que comprova a execução do projeto de acordo com a legislação.

De acordo com a Prefeitura, o termo de compensação ambiental ainda não foi cumprido pelos responsáveis pela obra, o que impede a entrega do documento. A Secretaria Municipal do Controle Urbano, no entanto, informou que o local tem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, assim como as licenças da Vigilância Ambiental.

Batizado de Santuário Theotokos - Mãe de Deus, a igreja foi construída em um terreno de 30 mil m² na Avenida Interlagos. Antes, o local abrigava uma indústria de cerveja. Na avaliação do padre, a construção tem capacidade para se tornar um "novo cartão-postal de São Paulo". E, pela área, será o maior templo católico da capital.

O templo é o quarto endereço a abrigar as badaladas celebrações do sacerdote mais pop do Brasil. Nos outros locais, sempre galpões alugados na região de Santo Amaro, na zona sul, padre Marcelo enfrentou uma série de problemas com vizinhos, incomodados com o barulho dos eventos religiosos e o grande número de peregrinos católicos, que costumam fretar ônibus para participar dos eventos.

O terreno definitivo foi comprado em julho de 2004, por R$ 6 milhões. Mais da metade do investimento foi doada pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes. Já a verba utilizada na construção veio da renda obtida com a venda dos produtos licenciados do padre, como CDs, DVDs e livros.

Ainda em 2004, surgiu um parceiro de renome. O arquiteto Ruy Ohtake se apresentou como voluntário e doou o projeto. Mas o traço de Ohtake acabou dificultando a execução da obra e aumentando seu custo. Segundo o padre, as curvas são as vilãs.

De longe, porém, é a cruz que chama a atenção. Com 44 metros de altura, pode ser vista a 1 km de distância. Tudo em estilo moderno contemporâneo, bem longe da estética tradicional dos templos do catolicismo. Graças às curvas, o pé-direito varia de 6 a 25 metros. Mas a marca principal é o altar, de 5 metros. Outro ponto nobre: uma cripta, sob o altar, onde serão guardados restos mortais de padres e bispos da Diocese de Santo Amaro.

A missa de hoje deve durar duas horas e contará com a participação dos cantores Alexandre Pires e Agnaldo Rayol.

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