Temporão confirma aumento dos casos de dengue no RJ

Segundo o ministro, os esforços da campanha antes do Pan foram anulados por burocracia e erros de estratégia

Alexandre Rodrigues, Agencia Estado

22 Fevereiro 2008 | 12h32

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, confirmou nesta sexta-feira, 22, no Rio que, ao contrário da maioria das outras regiões do País, o Estado registrou aumento no número de casos de dengue em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado. Temporão reconheceu que o esforço concentrado da campanha contra a doença nos meses anteriores aos Jogos Pan-Americanos foram anulados por problemas burocráticos e deficiências nas estratégias adotadas no Rio. Deu como exemplo a distribuição de apenas mil tampas de caixa d''água na capital fluminense, o que classificou de "uma gota no oceano".Números divulgados pelo município do Rio indicam a notificação de 5.217 casos em janeiro deste ano, cinco vezes mais do que o registrado em janeiro de 2007. O ministro identificou na baixa cobertura do Programa Saúde da Família no Rio uma das causas da proliferação do mosquito Aedes aegypti. O ministro também citou o uso comum de lajes sem cobertura em comunidades carentes e a falta de saneamento básico como obstáculos ao combate ao vetor da doença. Temporão também cobrou envolvimento da sociedade."É preciso persistência e planejamento de longo prazo. Queremos criar um sistema de vigilância permanente, durante todo o ano e não apenas no verão", afirmou o ministro na manhã de hoje durante uma cerimônia de lançamento da campanha de combate à dengue nos restaurantes da rede McDonald''s. Temporão também citou as dificuldades de acesso dos agentes de saúde a favelas dominadas pelo tráfico de drogas como um desafio ao controle da dengue. Ele afirmou que as obras de urbanização de favelas no Rio financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são uma resposta do governo federal a este problema.Sobre o surto de febre amarela no País, Temporão disse que a situação está "absolutamente tranqüila e sob controle", apesar dos 35 casos confirmados e 15 óbitos. O ministro disse esperar que os números da doença sejam menores em 2008 do que o registrado no surto de 2000, quando 40 pessoas morreram de febre amarela no País. O ministro também cobrou envolvimento da sociedade no combate à doença, e se queixou de hotéis de ecoturismo em áreas de risco que não avisam seus clientes da necessidade da vacinação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.