Temporão diz que restringir cesarianas é alvo do PAC

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde (ANS) querem aumentar o número de partos normais na rede privada de saúde. Atualmente, cerca de 80% dos nascimentos pagos pelos planos de saúde são cesarianas. No Sistema Único de Saúde (SUS), esse porcentual cai para 30%. Mesmo assim, para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a taxa é alta. Temporão afirmou hoje que uma das principais metas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde é reduzir, até 2011, a quantidade de operações cesarianas para 60% na rede particular e 25% nas maternidades públicas. Ele criticou a idéia disseminada de que o parto cesariano representa mais conforto para as mulheres e afirmou que o efeito é contrário, aumentando o risco às mães e criando um indicador ruim de saúde pública."Eu imagino que isso aconteça porque é muito mais rápida uma cesariana. Deve haver também uma questão de formação médica. Se temos uma escola que forma médicos com essa visão, os profissionais vão repetir esse padrão. Acho que há também uma demanda das mulheres por uma questão de praticidade e conforto e uma certa mitificação de que o parto normal pode ser muito doloroso e que o corpo da mulher vai sofrer. É exatamente o contrário", disse Temporão, que participou hoje do lançamento do manual Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças na Saúde Suplementar num congresso da ANS, no Rio.Segundo a ANS, a taxa de partos cesáreos entre as mulheres assistidas pelas seguradoras no Brasil é muito acima da média desse segmento em outros países e mais distante ainda do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS): 15%. Na Holanda, essa proporção é de 14%, nos Estados Unidos 26%, no México 34% e no Chile 40%. Muitas vezes, as cesáreas são agendadas antes de a mulher entrar em trabalho de parto e o nascimento prematuro pode aumentar os riscos de bebês desenvolverem doenças respiratórias, entre outras indicadas por estudos. Além disso, os custos hospitalares de cesarianas são maiores.Temporão e o diretor-presidente da ANS, Fausto Pereira dos Santos, informaram que os planos de assistência de saúde não receberão sanções para atingir as metas, mas serão alvo de políticas de incentivo. Além da conscientização de gestantes, a agência e o ministério, com o apoio de universidades, treinarão os profissionais de saúde do setor privado para recomendar o parto normal. "O que nos estimula é que temos seguradoras que já trabalham perto ou abaixo dessa meta de 60%", disse Santos. O ministro da Saúde afirmou que também é pensada a melhoria da remuneração pelo parto normal na tabela do SUS.

ALEXANDRE RODRIGUES, Agencia Estado

07 de dezembro de 2007 | 20h02

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