Tensão regional impõe novo teste à Unasul

Colômbia, Venezuela, Chile e Peru levarão divergências políticas à reunião de amanhã

Denise Chrispim Marin, MANAUS, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) tentará retomar amanhã, em Quito, no Equador, o seu batismo de fogo. Chanceleres e ministros da Defesa dos 12 países do bloco enfrentarão o impasse provocado pelo acordo militar entre EUA e Colômbia. Deixado em aberto desde setembro, o imbróglio ressurge agora de maneira mais dramática, graças às ameaças de conflito armado feitas pela Venezuela contra a Colômbia e pela denúncia de espionagem chilena feita pelo governo do Peru.

Na tarefa de costurar uma solução para essas crises, o Equador, país que preside temporariamente a Unasul, colocará em debate as propostas do Peru de um acordo de paz e de não-agressão, de criação de uma força sul-americana de paz e de um compromisso de redução da compra de armamentos pelos países da região nos próximos cinco anos. As sugestões têm apoio dos governos do Brasil e da Argentina e estarão no centro dos debates de amanhã.

No último fim de semana, o presidente equatoriano, Rafael Correa, enviou uma carta a seus colegas enfatizando sua preocupação com as tensões entre Venezuela e Colômbia e entre Peru e Chile.

Conforme reconhecem autoridades brasileiras, a falta de um acordo na Unasul em matéria de Defesa extrapolou a crise bilateral entre Caracas e Bogotá e ameaça a própria continuidade desse processo de integração física, energética e econômica na América do Sul.

O imbróglio teve como origem o acordo entre EUA e Colômbia, anunciado em junho, que envolve a presença de soldados americanos em sete bases militares e sete aeroportos colombianos. Desde então, a Unasul mobilizou-se para extrair da Colômbia garantias formais de que esse acordo não ameaçaria de ataque os países vizinhos.

Bogotá, entretanto, insistiu que todos os acordos de nações sul-americanas com países de fora da região deveriam ser postos sobre a mesa. Embora isolada, seu argumento não pode ser ignorado pela Unasul.

No entanto, em duas reuniões de cúpula e uma ministerial, o bloco não conseguiu chegar a um texto de consenso. A proposta do Peru surge como uma possibilidade de sanar esse impasse.

No início do mês, Chávez declarou que o povo venezuelano não poderia "perder um dia" para preparar-se para a guerra, indicando que os EUA poderiam usar o território colombiano para atacar a Venezuela, e mandou explodir duas pontes de madeira na fronteira com a Colômbia, alegando que elas eram usadas por narcotraficantes.

Bogotá reagiu com a apresentação de uma reclamação formal contra a Venezuela no Conselho de Segurança da ONU. O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, mostrou-se surpreso com a ausência de um pronunciamento da Unasul sobre o fato de Chávez estar usando uma "linguagem belicista".

Ontem, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, enviou uma carta ao CS da ONU, pedindo que o órgão revise o antigo conflito entre a Venezuela e a Colômbia que, segundo Caracas, está ameaçando a paz e a estabilidade na América Latina.

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