Yuri Gripas/Reuters
Yuri Gripas/Reuters

Tensões comerciais e riscos financeiros ameaçam economia mundial, diz FMI

Fundo destaca que aperto monetário nos EUA e Europa e dólar mais forte pressionam emergentes

Monique Heemann, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2018 | 10h21

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta, em relatório divulgado nesta quarta-feira, que a falta de políticas apropriadas e de cooperação internacional para conter tensões comerciais pode levar à escalada dos riscos para a economia global.

+ ‘Ninguém ganha nessa guerra’, diz ex-secretário de Comércio Exterior

Da mesma forma, riscos financeiros preocupam. O maior endividamento em muitos países aumentou a carga dos serviços de dívida das principais economias do G-20, tornando-as vulneráveis a cenários negativos. A piora do sentimento de risco, uma maior valorização do dólar ou um aumento mais rápido do que o esperado nos juros dos EUA poderia dar início a uma crise, afirma o relatório. Os países emergentes são particularmente vulneráveis a cenários negativos, que podem causar saídas de capital e expor novas vulnerabilidades em economias mais fracas.

Ao mesmo tempo, riscos políticos e mudanças climáticas são pontos de atenção. Enquanto as tensões no Oriente Médio e na Venezuela se acentuam e podem levar a novas interrupções no abastecimento de petróleo, a preocupação com um Brexit "duro" também pode impactar no crescimento e nível de investimentos europeu.

Crescimento. Apesar de a previsão de crescimento da economia global de 3,9% em 2018 se manter para 2019, na comparação anual, uma desaceleração ocorrerá a médio prazo, afirma o fundo. Se isso ocorrer, preços mais altos do petróleo devem amortecer o crescimento de países importadores.

Para lidar com a gradual desaceleração do crescimento, especialmente de economias desenvolvidas, os países devem amenizar riscos futuros, renovar comprometimento com a cooperação internacional e adotar políticas que favorecem um crescimento inclusivo, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI) em relatório divulgado nesta quarta-feira.

No médio prazo, fatores estruturais– especialmente envelhecimento da população, produtividade e reformas econômicas em atraso – devem segurar o crescimento.

+ JP Morgan eleva projeção para dólar e vê moeda a R$ 4 antes da eleição

Emergentes. O aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) duas vezes desde março e o recente anúncio do Banco Central Europeu (ECB, na sigla em inglês) na direção de normalizar a política monetária da zona do euro aumentaram os ganhos do dólar, o que não ocasionou em aperto adicional das condições financeiras nos países desenvolvidos, mas pressionou os emergentes.

Esse cenário, segundo o FMI, provocou reações variadas nos emergentes, incluindo uma combinação de flexibilidade da taxa de câmbio e aumentos das taxas de juros (como na Argentina, Indonésia, México, Turquia), a ativação do financiamento oficial (como na Argentina) e intervenção no mercado de câmbio (por exemplo, na Argentina e no Brasil).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.