DIDA SAMPAIO|ESTADAO
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Tentativa de votação de anistia a caixa 2 inviabilizou aceleração do projeto, diz líder do PPS

Rubens Bueno (PR) afirmou nesta terça-feira, 20, que não há clima na Casa para votar o tema fora do pacote das 10 medidas de combate à corrupção em trâmite

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2016 | 17h47

BRASÍLIA - Diante da tentativa fracassada de se aprovar às pressas uma proposta de anistia ao caixa dois em campanha eleitoral, o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), afirmou hoje que não há clima na Casa para votar o tema fora do pacote das 10 medidas de combate à corrupção em trâmite. "Não tem clima e não tem tempo. É por lá que temos de caminhar", declarou.

Durante todo o dia, parlamentares usaram a tribuna para repudiar a tentativa de votação da proposta utilizando um projeto engavetado desde 2007. O projeto, colocado de última hora na pauta, seria relatado pelo líder do PR, Aelton Freitas (MG), mas em nenhum momento o substitutivo da proposta original foi apresentado à Mesa Diretora. A sessão de discussão e votação foi aberta sem que os presentes tivessem conhecimento do texto que seria apreciado.

Nos bastidores, os parlamentares relatam que durante a votação seria apresentada uma emenda que abriria a brecha para anistia de caixa dois. O autor da emenda é desconhecido, assim como o texto articulado pelos grandes partidos, entre eles PT, PP, PSDB, PR e PMDB. "Até agora ninguém apareceu para dizer que fez a emenda", criticou Bueno, que classificou a tentativa de votação de "lambança de criança".

Oficialmente, os deputados foram convocados para a sessão da Câmara para votar uma Medida Provisória e dar quórum para a sessão conjunta do Congresso Nacional, que tinha em pauta a conclusão da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Enquanto os parlamentares chegavam em Brasília, o presidente interino Waldir Maranhão (PP-MA) ligava diretamente aos colegas apelando para que dessem quórum o mais rápido possível no plenário.

Na avaliação dos deputados, a medida foi colocada em votação às pressas porque atendia a interesses de diversos dos partidos. Uns estavam preocupados com o processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer, outros com as delações premiadas da Operação Lava Jato que apontam cifras milionárias movimentadas pela contabilidade paralela dos partidos e alguns incomodados com as informações de que as siglas estão recorrendo ao caixa dois para financiar as campanhas municipais deste ano.

Nos bastidores, são apontados como articuladores da discussão os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP), Vicente Cândido (PT-SP) e o líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), além do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Sampaio foi o primeiro a se eximir de responsabilidade sobre a proposta e disse que apenas foi consultado por fazer parte da comissão especial das 10 medidas anticorrupção. Vicente e Aguinaldo não foram localizados para comentar.

"A reação da população fez com que se recuasse. E não aparece o autor dessa obra indesejável", disse Bueno.

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