Teoria mudou foco das ações

A teoria de que a epidemia de aids no Brasil migra para o interior e atinge pessoas cada vez mais pobres e um número maior de mulheres é sustentada pelo governo há mais de 10 anos. Desde que a tendência começou a ser divulgada, maior atenção passou a ser dada para ações voltadas à população em geral. Grupos até então considerados como de risco acrescido, como profissionais do sexo e gays, ficaram em segundo plano, dizem integrantes de movimentos sociais.

, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

"Sofremos ainda com a mudança no formato de financiamento, que passou a ser feita de forma descentralizada. O resultado foi desastroso: a prevenção entre grupos vulneráveis caiu em quantidade e qualidade. Fomos praticamente esquecidas", afirma Lurdes Barreto, do Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará. Mário Scheffer, do Grupo Pela Vidda, tem avaliação semelhante. "É preciso diversificar os mecanismos de prevenção: fazer campanhas gerais, mas sem descuidar da população com maior risco", avalia.

O chefe da unidade de prevenção do departamento de aids do Ministério da Saúde, Ivo Brito, garante que os grupos não foram esquecidos. "O que é preciso é fazer uma mudança na forma de abordagem. Os comportamentos mudaram, as estratégias de prevenção também precisam se adaptar", disse.

Alexandre Grangeiro concorda neste ponto com Brito. "É preciso inovar. Mas, antes de tudo, garantir que prevenção seja feita de forma contínua, com base em análises atuais, voltadas tanto para o público em geral quanto para setores específicos."

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