Terapia comportamental ainda é desconhecida

Diferentemente do Brasil, nos EUA método para tratar problemas psicológicos domina e já é ofertado pela internet. Mas há limitações, diz psicóloga

Claudia Belfort e Silvia Herrera, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2010 | 00h00

O nome é difícil - terapia cognitivo-comportamental (TCC) - e, como sua irmã mais conhecida, a psicanálise, é um método que procura a cura de problemas psicológicos. Trabalha no aqui e agora e busca mudanças no comportamento, enquanto que a psicanálise produz autoconhecimento.

"São mais de 900 tipos de enfoques de tratamentos de psicoterapias e a TCC está no padrão ouro", explica o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do projeto Dependência da Internet, do Instituto de Psiquiatria da USP e Hospital das Clínicas. "Em todo o mundo a TCC, que é considerada eficaz em 85% dos casos, é a mais usada, porém, no Brasil a psicanálise é procurada por 80% dos pacientes", conta o especialista.

"A TCC por muito tempo foi considerada para poucos", diz o psicoterapeuta Telmo Kiguel, coordenador do Departamento de Psicoterapia da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). "Hoje em dia os psiquiatras valorizam as terapias comportamentais-cognitivas, que lidam com sintomas", diz Oswaldo Ferreira Leite Netto, diretor de atendimento à comunidade da Sociedade Brasileira de Psicanálise.

Pelo celular. As psicoterapias, especialmente a TCC, já são ofertadas em outros países por telefone celular, mensagens instantâneas e skype. Nos Estados Unidos há até APPs (APP é um software desenvolvido para navegação na internet por telefone celular) para iPhone que a oferecem por US$ 0,99 (R$1,78). Mas há limitações, na opinião da doutora em psicologia e especialista em transtornos de personalidade e ansiedade da Universidade Columbia, Nova York (EUA), Simone Hoermann, que analisou três desses softwares.

"Acho que as novas tecnologias podem criar oportunidades que devem ser levadas em consideração", diz Simone, que explica que elas podem ajudar, por exemplo, uma pessoa que se muda de país e quer continuar o tratamento. No entanto, diz a psicóloga, ainda não há estudos que comprovem a eficácia do método a distância. E nada substituiu a consulta, opina.

"Meu trabalho se torna muito mais fácil quando posso ver o paciente. Portanto, não acredito que um programa de computador ou um livro possam substituir um profissional treinado. Além disso, boa parte dos estudos que buscam determinar por que a psicoterapia funciona indica que o relacionamento com o terapeuta é um dos fatores mais importantes . Um bom aplicativo pode ser um complemento", afirma Simone.

Restrição. No Brasil, no entanto, o assunto ainda causa polêmica. Uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, criada em 2000, autoriza o divã virtual apenas em pesquisas científicas.

A psicoterapeuta Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Psicologia de Informática (NPPI) da PUC-SP, explica que o conselho autoriza várias formas de orientação psicológica pelas diferentes mídias, desde que sejam breves e pontuais.

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