Termina sem sucesso procura por corpo de Amarildo

Após cinco horas, terminou sem sucesso por volta das 15h desta sexta-feira, 11, a procura pelos restos mortais do pedreiro Amarildo Souza, de 43 anos, em duas represas na mata na Favela da Rocinha, na zona sul do Rio. A busca foi realizada devido a uma escuta telefônica, na qual a represa do Laboriaux é citada como possível local de desova do corpo da vítima. O grampo consta do relatório final do inquérito da Divisão de Homicídios que apurou o sumiço de Amarildo, ao qual o Grupo Estado teve acesso. Os agentes também estiveram na represa da Dioneia. Cerca de 30 policiais civis, acompanhados de 40 bombeiros, participaram do trabalho, que contou com mergulhadores e cães farejadores.

MARCELO GOMES, Agência Estado

11 Outubro 2013 | 17h29

A escuta na qual a represa do Laboriaux é citada foi realizada no inquérito da 15ª DP (Gávea) que resultou na Operação Paz Armada, desencadeada em 13 de julho, véspera do sumiço de Amarildo. A operação prendeu dezenas de pessoas suspeitas de envolvimento com o tráfico na Rocinha. Por falar do possível local de desova do corpo de Amarildo, o diálogo foi compartilhado com o inquérito da DH.

A conversa em questão foi gravada em 24 de julho, e dura 1 minuto e 52 segundos. O diálogo grampeado ocorreu entre um traficante identificado apenas como Espinha e um interlocutor não identificado. A represa do Laboriaux é falada por pessoas não identificadas que conversavam ao fundo do diálogo principal.

"Existe a possibilidade de que as pessoas não identificadas ao fundo estivessem conversando sobre a morte de uma pessoa de alcunha ''Boi'' e que seu possível assassino de nome ''Vidal ou Vital'' teria jogado o seu corpo na parte alta da Rocinha, na represa Laboriaux", assinala o relatório final do inquérito da DH. Boi é o apelido de Amarildo na favela, conforme diversas testemunhas ouvidas. Já Vital é o sobrenome de um dos dez policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha indiciados e presos preventivamente por tortura seguida de morte e ocultação do cadáver de Amarildo: o soldado Douglas Roberto Vital Machado, conhecido como Cara de Macaco.

Com cerca de seis metros de profundidade, a represa do Laboriaux foi esvaziada há dois dias, a pedido da DH. Já na represa da Dioneia, que tem cerca de 3 metros de profundidade, foi necessária a ajuda de mergulhadores dos bombeiros para vasculhar o local.

A delegada Elen Souto, que presidiu o inquérito da DH, disse que não pretende realizar novas buscas pelo corpo de Amarildo na Rocinha, a não ser que surjam novas informações sobre seu paradeiro. Ela aguarda o resultado dos exames de DNA feitos em oito cadáveres com características semelhantes às do pedreiro, localizados em diferentes municípios do Estado do Rio.

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