Terra aposta em expansão mundial após comprar Lycos

A expansão global do provedor de Internet Terra Networks ganha impulso com a compra do portal norte-americano Lycos. A nova empresa Terra Lycos surge com capital inicial de US$ 3 bilhões, mas não foram anunciados até agora planos de investimentos. ?Ainda é cedo para avaliar o impacto da fusão sobre os planos de investimento no País?, disse hoje o diretor da Terra Brasil, Marcelo Lacerda, no lançamento do novo portal de negócios para pequenas empresas. ?Essa parceria vai viabilizar a expansão mundial do grupo?, afirmou.Lacerda afirmou também que a fusão deve favorecer o crescimento do portal Lycos, que ainda não decolou no Brasil. ?O Lycos ainda não tem tráfego importante por aqui e a Terra é o segundo maior provedor?, disse. Segundo Lacerda, o Lycos é interessante como parceiro porque detém tecnologia própria.ReaçãoA transação, que movimentou US$ 12,5 bilhões em ações, causou uma ampla reação dos analistas de mercado. Observadores acreditam que o grupo controlado pela Telefónica está pagando um preço que ultrapassa as sinergias que serão geradas no curto prazo, mas sugere a perspectiva de um retorno saudável no longo prazo.A Merrill Lynch rebaixou a recomendação para a Terra Networks de "acumulativa" para "neutra no prazo intermediário", afirmando que espera que ocorra uma transferência imediata de valor para o Lycos, cujos papéis tiveram a recomendação reiterada para "compra de longo prazo". Sob o prisma estratégico, a Merrill Lynch acredita que o novo grupo representa "uma combinação forte e poderosa". A Ibersecurities recomendou a "venda" de papéis da Terra, revisando para baixo a sugestão de "compra".ReceitaA direção da Telefónica em Madri não quis comentar a hipótese pela qual a mudança na estratégia da companhia estaria nos fracos resultados da Terra na América Latina no 1º trimestre. A receita por assinante, por exemplo, despencou de 52 euros (US$ 49), no 1º trimestre de 99, para 18,50 euros (US$ 17,5) no mesmo período deste ano.A Terra Networks estaria perdendo espaço na América Latina para os serviços de Internet gratuitos. Embora a base de assinantes tenha crescido seis vezes, a receita apenas dobrou. A margem de lucro bruto caiu de 61% para 48%.Desde novembro, a Terra vem recuando em sua posição de provedor líder em Internet na América Latina No Brasil, maior mercado da região, a Terra caiu para o 3º lugar, atrás do IG e do UOL, segundo a Merrill Lynch. A receita de publicidade e comércio eletrônico não deslanchou. Quase 70% da receita da Terra no último trimestre veio das tarifas de acesso à Internet, um mercado que sofre a erosão da transferência dos assinantes para os provedores gratuitos.FocoA Lycos dará à Terra uma marca global na Internet, mas dilui os negócios originais que atraíram tantos investidores para as ações da empresa espanhola: o foco na Espanha, América Latina e mercado hispânico em geral. Isso acontece em um momento em que os papéis estão em forte queda. Os ADRs da Terra caíram cerca de 63% do pico de US$ 145,25 no pregão de 14/2. "Ao ir atrás da Lycos, a Terra está abruptamente mudando sua estratégia. A empresa parece que está dizendo que quer ser um global player, para competir com empresas como AOL-Time e Yahoo, mais do que com uns poucos especialistas em língua espanhola e vários provedores na América Latina que não cobram tarifas", escreve Jesse Eisinger para a Dow Jones.As ações da Terra Networks e de sua controladora, a Telefónica, lideraram a queda da Bolsa de Madri, que fechou com o índice Ibex-35 perdendo 315,40 pontos (-2,81%), para situar-se em 10.905,30 pontos. A Terra despencou para 55,80 euros, terminando com uma desvalorização de 6,20 euros (-10%). A companhia foi punida por vendas relacionadas a operações de arbitragens, após a empresa ter confirmado a operação com o Lycos, cujos papéis foram cotados a US$ 97,55 por ação.As ações da Telefónica também foram atingidas por fortes vendas e cederam a 23,28 euros, com perda de 1,42 euro (-5,74%). Após o fechamento da Bolsa de Madri, a agência de avaliação de risco Fitch informou que colocou o rating da Telefónica em alerta negativo.

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