Terror revela fraqueza estatal

Militantes buscam deslegitimar o governo de maioria xiita

Martin Chulov, THE GUARDIAN, BAGDÁ, O Estadao de S.Paulo

09 Dezembro 2009 | 00h00

Os devastadores atentados a bomba no Iraque mais uma vez revelaram o quão vulneráveis estão as instituições iraquianas e o quão frágil está a base de poder eleita diante dos ataques coordenados contra o seu governo. Esse, na verdade, é o objetivo dos terroristas que cometeram os ataques.

Como ocorreu durante os atentados em agosto e outubro, quando mais de mil pessoas foram mortas ou feridas, a nova onda de violência lança um novo desafio para os governantes iraquianos.

As explosões ocorreram horas após os parlamentares iraquianos marcarem para 7 de março a realização de eleições nacionais - um marco teoricamente democrático que os extremistas alinhados com a Al-Qaeda e os baathistas desalojados prometeram derrubar.

Nos últimos três anos, o governo e suas forças de segurança estão engajados numa luta contra a insurgência sunita e seus poderosos patrocinadores. As autoridades tentam criar instituições e selar sua autoridade, enquanto os insurgentes procuram arruinar tanto a credibilidade quanto os recursos do governo.

A segurança tornou-se um campo de batalha-chave. A receita é deixar as ruas mais seguras de modo a estimular os investimentos em serviços e, no final, sair dessa medonha desordem que é o Iraque pós-guerra.

Com as ruas iraquianas livres das guerras sectárias abertas, a sociedade começou a funcionar novamente - o que deixou o governo mais tranquilo, mas levou a insurgência a encontrar novas maneiras para deslegitimar o regime dominado pelos xiitas.

Comunidades xiitas foram alvo de uma série de atentados, mas que não provocaram o mesmo banho de sangue verificado em 2006. A razão disso é que o governo e seus partidários religiosos das outrora violentas milícias xiitas conseguiram manter seus membros sob controle, convencendo-os de que ganharão mais politicamente. Mas os políticos temem que sua base eleitoral esteja perdendo a confiança neles. Se essa confiança continuar se esvaindo, a influência inspiradora do processo eleitoral contará cada vez menos.

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