Tesouro faz plano de financiamento cauteloso para 2009

Diante do cenário ainda conturbado dos mercados financeiros, o Tesouro Nacional adotou uma postura cautelosa e estabeleceu metas menos ambiciosas e mais elásticas para o Plano Anual de Financiamento da Dívida Pública (PAF) de 2009. Por outro lado, a necessidade de financiamento do governo federal este ano será a menor desde 2005 --o que dá mais flexibilidade para o Tesouro administrar o endividamento público. "Não estamos projetando um ano de volatilidade alta, mas temos que estar preparados para um ano de volatilidade alta", afirmou o secretário do Tesouro, Arno Augustin, destacando que o objetivo é melhorar o perfil da dívida aos menores custos possíveis. Diante das incertezas, os intervalos das metas do PAF ficaram bem maiores que os fixados em anos anteriores. A meta para o tamanho da dívida em 2009 vai de 1,450 trilhão a 1,600 trilhão de reais, o que representa um intervalo de 150 bilhões de reais. Em 2008, a diferença entre o piso e o teto da meta era de 60 bilhões de reais. Outro exemplo claro do tom menos ambicioso adotado pelo Tesouro este ano foi a meta para a parcela de títulos prefixados --títulos considerados melhores em termos de gestão da dívida, uma vez que o Tesouro sabe quanto terá que pagar aos investidores já no ato da emissão. De acordo com o plano, a expectativa é que esses títulos representem entre 24 e 31 por cento do total do endividamento federal. Em 2008, os títulos prefixados somaram 29,9 por cento do total da dívida de 1,397 trilhão de reais, levemente acima do piso da meta revisada pelo Tesouro. Já a meta para os títulos com correção atrelada à taxa básica de juro foi elevada para a faixa entre 32 e 38 por cento do total, ante 31 e 34 por cento na revisão de 2008. Augustin afirmou que a elevação da meta não significa "necessariamente" que o volume dos papéis aumentará em 2009. Os papéis pós-fixados totalizaram 32,4 por cento do endividamento do ano passado. A dívida cambial estourou o limite da meta de 2008 em 0,7 ponto percentual, representando 9,7 por cento do total. Para este ano, a meta desse segmento foi fixada entre 7 e 11 por cento. A prudência do Tesouro na gestão da dívida pública já foi sentida no final do ano passado, quando o órgão foi forçado a mudar algumas das metas do plano de financiamento de 2008 após o agravamento da crise internacional. EMISSÕES EXTERNAS Em nota, o Tesouro disse que o objetivo do governo em termos de gestão da dívida é "minimizar os custos de financiamento no longo prazo, respeitando-se a manutenção de níveis prudentes de risco". A necessidade de financiamento para 2009 é de 379,7 bilhões de reais, sendo que 301,1 bilhões de reais correspondem ao pagamento de principal e 78,6 bilhões de reais a juros. Olhando apenas a dívida externa, o Tesouro reafirmou que manterá sua "estratégia de emissões qualitativas", sem portanto, especificar os montantes que pretende captar. "É muito provável que, com a normalização das condições internacionais, seja possível (nova emissão) nos próximos meses", afirmou Augustin. A necessidade de financiamento externo para 2009 é de 16,1 bilhões de reais, mas o governo já adquiriu mais de 50 por cento dos recursos em moeda estrangeira para o pagamento de principal e juros da dívida externa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.